Aluno brasileiro vale quase quatro vezes menos que estudante de países ricos

Em 14 anos, investimento na Educação cresceu 46% no Brasil, mas parcela do PIB ainda é baixa

Fonte: R7

Um aluno brasileiro vale quase quatro vezes menos que um estudante de países ricos. De acordo com pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), divulgada nesta terça-feira (11), o gasto anual médio por aluno no Brasil é de cerca de R$ 5.300 reais (US$ 2.647). Já um país membro da OCDE investe cerca de R$ 18.500 (US$ 9.252).

O estudo analisou 42 países, sendo que 34 são membros da OCDE e oito fazem parte do G20 (grupo dos vinte países mais ricos do mundo). Ao todo, 33 países forneceram estatísticas para o levantamento.

A pesquisa considera o gasto médio por aluno desde o ensino primário até o nível superior. Quando analisada só a educação infantil, o gasto por criança fica em torno de R$ 3.390 (US$ 1.696), quando o recomendado pela organização é investir, anualmente, R$ 13.340 (US$ 6.670) por criança.

A diferença de investimento também se reflete no ensino básico. No nível primário, o investimento brasileiro fica em torno de R$ 4.800 (US$ 2.405), enquanto deveria ser de R$ 15.438 (US$ 7.719). Já no secundário a diferença é de mais de quatro vezes. O investimento anual registrado em 2009 é de R$ 4.470 (U$$ 2.235), sendo que a média esperada pela OCDE é de R$ 18.624 (US$ 9.312) ao ano.

Ainda que os números sejam baixos, os gastos no Brasil com alunos do ensino primário e secundário aumentaram 149% entre 2005 e 2009, diz o relatório, que ressalta, no entanto, que o nível anterior era bem abaixo do observado em outros países.

Entre 2000 e 2009, o Brasil registrou o quarto maior aumento em gastos na educação. Os investimentos passaram de 10,5% do total dos gastos públicos em 2000 para 16,8% em 2009.

Investimento do PIB
O estudo da OCDE revela também que o investimento no PIB (Produto Interno Bruto) na educação cresceu 46% em 14. Em 1995, o Brasil investia 3,9% do PIB para o setor. Já em 2009, o investimento passou para 5,7%.

Apesar do avanço, a pesquisa mostra que parcela ainda é menor do que o necessário, de acordo com a OCDE, que recomenda investimento de ao menos 5,8%.

O debate sobre a parcela do orçamento que será destinada à área já dura muito tempo no Brasil e este ano teve avanços. O PNE (Plano Nacional de Educação) que deve vigorar nos próximos anos foi votado por uma comissão especial na Câmara dos Deputados.

Após pressão de entidades e movimentos sociais, a comissão estabeleceu investimento de10% do PIB para a educação. Entretanto, no início de setembro, 46 dos 80 deputados que assinaram o documento retiraram o apoio e o recurso para ampliar o valor do investimento foi arquivado. Com isso, o projeto seguiu para o Senado Federal, onde deve ser votado ainda sem prazo definido.

Ensino superior 
Apesar da ampliação considerável dos investimentos em educação, o Brasil está entre os países que menos aumentou os gastos com alunos do ensino superior.

Houve uma queda de 2% do investimento no setor, pois o nível de gastos com alunos do ensino superior não acompanhou o aumento de 67% no número de universitários entre 2005 e 2009, diz o relatório.