Renomear é bom, diz historiador

Para o professor Régis Lopes, isso prova que a cidade é dinâmica e os cidadãos se apropriam dos espaços

As praças são dos mais ricos espaços de convivência da cidade. Nelas é possível bater um papo com os amigos, sentar para descansar, assistir a apresentações artísticas ou, simplesmente, viver o local de passagem.

No Centro, as praças poderiam contribuir para se conhecer um pouco mais os personagens da nossa terra, como o boticário Ferreira, o escritor José de Alencar, o historiador Capistrano de Abreu, o general Murilo Borges. Porém, esses personagens vão se perdendo no imaginário popular, que utiliza referências mais atuais para denominar os espaços.

O professor do curso de História da Universidade Federal do Ceará (UFC), Régis Lopes, avalia essa “reapropriação” da cidade como algo positivo. “Isso mostra que a população não é submissa ao nome oficial e nomeia a partir da experiência concreta. A cidade está viva”, afirma.

Para o educador e turismólogo Gerson Linhares, é preciso investir mais no ensino da história de Fortaleza e do Ceará nas escolas, dando espaço para a educação patrimonial. “No guia turístico da cidade, é colocado o nome oficial das praças. O turista pega ele, pergunta onde ficam as praças e ninguém vai saber”, argumenta. Há 17 anos, Gerson realiza projetos com o objetivo de apresentar o patrimônio histórico da Capital a turistas e fortalezenses.

O turismólogo critica a falta de programas oficiais que estimulem a visita de estudantes aos equipamentos históricos. A Secretária Municipal da Educação (SME) diz que existe o projeto “Conhecendo Fortaleza”, que está suspenso neste semestre. Porém, ressalta que as escolas organizam passeios com este objetivo. Outro problema é o fato das praças não terem placas que indiquem o nome oficial. Muito menos conta-se a história do espaço ou dos homenageados.

A Coordenação de Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor) informa que as Secretarias Executivas Regionais são orientadas a identificar, por meio de placas, os bens do patrimônio histórico-cultural. (Geimison Maia)

ENTENDA A NOTÍCIA

A maioria das praças do Centro de Fortaleza não é conhecida pelo nome oficial. Com o tempo, a população preferiu adotar denominações que dialogam mais com a realidade do dia a dia de cada lugar.

Serviço

Passeios pela História

O turismólogo Gerson Linhares desenvolve sete projetos para se conhecer a história de Fortaleza. Os passeios são gratuitos, mas é necessário agendamento prévio de, no mínimo, dez pessoas.

Fortaleza a Pé – caminhada por praças e prédios históricos

Trem da História – para o público idoso. Feito aos fins de semana.

Trenzinho da História – para o público infantil. Também, realizado aos fins de semana.

História Passo a Passo – passeio pelo Centro voltado para estudantes de Turismo.

Caminhos de Iracema – visita o Theatro José de Alencar, a Casa José de Alencar e as cinco estátuas de Iracema.

Museu do Caju – passeio de trem até o Museu do Caju, em Caucaia.

Circuito de Turismo Religioso – passeio pelas igrejas católicas.

Roteiro da Liberdade – do Parque da Liberdade ao Centro Cultural Dragão do Mar. O tema do passeio é a libertação dos escravos do Ceará.

Mais informações: (85) 3237 2687 / 8835 9915

O Povo