Profissionais de nível técnico podem ganhar mais que os de nível superior

Segundo o levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, a remuneração média de começo de carreira para trabalhadores de 21 ocupações técnicas é de R$ 2.085,57.

Os cursos técnicos podem ser uma ótima opção para quem ainda não escolheu que carreira seguir ou quer mudar de área. Uma pesquisa mostra que os salários em alguns setores da indústria são maiores do que os de profissionais com nível superior.

Veja a lista das ocupações técnicas que estão em alta no setor industrial

Vinicius Ferreira da Cruz é técnico em soldagem. Em uma multinacional, ele controla a qualidade da solda de tanques para fabricação de gases de acordo com as normas dos diversos países do mundo para onde a empresa exporta. Aos 27 anos, Vinicius já pode pensar em se casar, como queria há um bom tempo. Ele ganha hoje três vezes mais do que quando era caldeireiro, seis anos atrás. O salário de Vinicius não é exceção.

Um estudo do Senai mostrou que trabalhadores de muitas áreas técnicas ganham mais do que profissionais com diploma universitário, como médicos, advogados, analistas de sistemas e desenhistas industriais. Segundo o levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, a remuneração média de começo de carreira para trabalhadores de 21 ocupações técnicas é de R$ 2.085,57.

Em Pernambuco, chega a R$ 2.545. É superior ao recebido de médicos recém-formados. Em Goiás, ultrapassa o de novos advogados: R$ 2.465. Em São Paulo, chega a R$ 2.838, superior ao de desenhistas industriais e analistas de sistemas. O que mudou a vida de Vinicius foi um curso técnico.

“Foi quando aqueceu a indústria naval e eu percebi que a área de soldagem era muito carente. Eu optei por fazer o curso técnico de soldagem devido à carência da área”, explica o técnico em soldagem.

Com a mesma esperança, jovens estudam 20 horas por semana em um curso técnico. Será assim por dois anos e meio.

“Meu foco inicial é terminar o meu curso técnico, arrumar um emprego na área, e posteriormente dentro da indústria, quando eu já tiver lá dentro, direcionar para outra área, alguma coisa que seja dentro do que a indústria pede”, conta Fabio Merathi de Medeiros, técnico de informática.

Pelo futuro como técnico, Diego vai deixar de lado uma carreira militar.

“O Brasil hoje em dia necessita muito dessa mão de obra. Muitas grandes empresas estão procurando e tentando resgatar o máximo desses alunos pra poder incluir no mercado de trabalho”, diz Diego da Silva Sales, militar.

Eles sairão daqui técnicos em automação industrial com salário inicial em torno de R$ 2.400. Ainda são raridade. “A nossa estrutura é fortemente voltada para a educação regular e não para a educação profissional. Na Alemanha, dos jovens entre 15 e 19 anos, 53% tem educação profissional. No Brasil, esse número é apenas de 6,6%”, diz o diretor-geral Senai, Rafael Lucchesi.

Muito requisitados, profissionais como Vinicius podem alcançar aumentos de até 160% do salário inicial. No momento, existem no Brasil dois milhões e 400 mil trabalhadores com nível técnico. E quem tem 10 anos de experiência está ganhando, em média, R$ 5.690. Ou seja, mais de nove salários mínimos.

“O fundamental é levar essa informação para a juventude. Que ela pode, sim, apostar na educação profissional na sua visão de carreira futura”, aponta o diretor-geral Senai.

 Bom dia Brasil