Resgatar a educação brasileira

Venho falando do abandono da educação brasileira há anos. Do ano passado para cá, intensifiquei o foco, escrevi vários artigos sobre o tema, porque a situação tem se agravado, não só pelo resultado constatado na aprendizagem dos estudantes, mas pelo estado cada vez mais precário das escolas públicas e do descaso para com os professores.

Além disso, nos últimos anos foram feitas modificações no sistema de ensino – alfabetização, ensino da matemática, etc., que ao invés de melhorar a educação, prejudicaram ainda mais os estudantes do ensino fundamental, que estão chegando ao terceiro, quarto ano sem saber ler e escrever.

E isso reflete nas etapas seguintes, é claro, no ensino médio e também no superior, pois se a base não é boa, todo o resto estará perdido.
A União e os Estados – o Ministério da Educação e as Secretarias de Educação – não estão dando a devida atenção à educação, não estão investindo na educação. Parecem não se dar conta de que um ensino de qualidade é condição sine qua non para que tenhamos, mais adiante, pessoas educadas e qualificadas para trabalhar e ter uma vida digna, para que tenhamos profissionais qualificados e dirigentes preparados, com um mínimo de cultura para desempenharem um bom governo à frente do País, dos estados,dos municípios, das grandes empresas.

Vendo e sentindo essa situação, evidenciada ainda mais com o resultado do Ideb e com a colocação do Brasil em 88º lugar no ranking internacional da educação, a sociedade gaúcha e catarinense está se mobilizando para identificar os problemas e encontrar soluções, chamando os gestores do ensino – MINC e as Secretarias de Estado da Educação – e os detentores do poder dos estados e municípios, para participar da discussão. Trata-se da campanha “A Educação precisa de respostas”, lançada neste final de agosto.

As primeiras perguntas já foram lançadas no primeiro debate realizado em Porto Alegre, quando o ministro Mercadante, da Educação, esteve presente. Ele próprio admitiu que o professor precisa ser melhor qualificado e mais valorizado. Admitiu, ainda, aquilo que temos repetido várias vezes: mais de um terço das crianças do início do primeiro grau, com oito anos, não aprenderam a ler e escrever, o que compromete, como já dissemos, toda a vida escolar.

Então ele concorda e sabe que o ensino fundamental e médio estão com a qualidade bem abaixo do necessário. Mas volta a insistir numa modificação no Ensino Médio que, ao invés de melhorar a qualidade, pode comprometer ainda mais.

Ele quer que às treze disciplinas do Ensino Médio sejam aglutinadas em apenas quatro áreas, porque a excessiva quantidade delas estaria prejudicando o rendimento dos estudantes. Como já disse, isso é temerário, porque o que parece, na verdade, é que estão querendo diminuir o conteúdo curricular para que os estudantes possam tirar melhores notas no Enem e, por conseguinte, que a educação brasileira melhorou.

O Estado – CE