Economia brasileira tem o pior desempenho entre países do BRIC: Azar ou incompetência?

Brasil, Rússia, Índia e China. Ficamos em 1º na ordem alfabética, mas comparados o crescimento do PIB, ficamos em último. E bem atrás.

No discurso oficial a conversa é conhecida. Nunca o Brasil experimentou tamanha pujança econômica, os grandes que se cuidem, etc. e tal. No mundo real, estamos na última posição no BRIC – a celebrada sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia, China, economias que se destacam no cenário mundial como países emergentes, como demonstra quadro comparativo com dados referentes ao 2º trimestre de 2011, publicado pelo jornal Folha de São Paulo. A lista inclui ainda o México e o Chile.

China – 7,6%
Índia – 5,5%
Chile – 5,5%
México – 4,1%
Rússia – 4,0%
Brasil – 0,5%

Fonte: The Economist

Problema conjuntural ou estrutural?

Após a redemocratização, o Brasil conheceu a estabilidade com o Plano Real e subiu com a maré alta da economia mundial no início do século. É o efeito conjuntural que amenizava as deficiências estruturais de economia brasileira. Agora que a maré baixou, entraves antigos voltam a ter seus efeitos potencializados.

Alguns devem se perguntar, incrédulos e espantados, como é que o México e a Índia crescem mais do que o Brasil, se nenhum dos dois foi governado pela sapiência intuitiva de um Lula da Silva. E a resposta é simples: personalismo pode até ser é bom para a autoestima, mas o que gera crescimento sustentável são ações que visem a liberação das forças produtivas: redução da carga tributária, investimento maciço em educação (estamos entre os priores países do mundo nesse quesito), desentrave burocrático e diminuição da máquina pública.

Um dos truques que ajudaram a criar a miragem de uma supereconomia e um novo tempo foi justamente a fuga de comparações com outros países emergentes. Estivemos contentes em crescer, sem nos perguntar, entretanto, porque crescíamos menos que os demais. Não se trata de pessimismo. Mas de estar preocupado com uma avaliação correta para que se possa debater as melhores soluções. Já perceberam como os governos comemoram o aumento de pessoas recebendo bolsas? Esse deveria ser um sinal de alerta.

E a solução?

Esses problemas ficaram conhecidos como Custo Brasil. Daí os recentes pacotes e privatizações do governo Dilma Rousseff. Entre manter a “convicção” estatista – ficando na rabeira do crescimento entre os emergentes – e pedir socorro ao setor privado, a presidente não vacilou. Se isso será bem conduzido, essa é outra história.

Jangadeiro Online