Escola retorna aulas após dez dias fechada

Após mais de uma semana sem aulas, retornou ao funcionamento, na manhã de ontem, a Escola de Ensino Fundamental José Carlos da Costa Ribeiro, no bairro Antônio Bezerra. A Unidade havia fechado as portas no último dia 24 em virtude dos conflitos envolvendo gangues rivais na região. A Guarda Municipal de Fortaleza e o Ronda do Quarteirão estavam presentes.


O Ronda do Quarteirão e a Guarda Municipal estiveram presentes, mas, mesmo assim, muitos pais de alunos ainda estão assustados Foto: Marília Camelo

Mesmo com o retorno, muitos pais ainda procuraram a escola, no turno da manhã, para saber se, de fato, as atividades estavam normalizadas. É o caso de uma jovem, que não quis se identificar, que chegou ao local para confirmar a informação. “Me mudei recentemente para cá. Meus filhos estudam aqui há duas semanas e já aconteceu isso”, reclama a mulher. O medo, ainda presente entre os moradores, faz com que muitos se recusem a falar.

Na unidade, a direção não recebeu a equipe de reportagem e ninguém estava autorizado a falar. De acordo com informação passada por um funcionário da secretaria da instituição, essa foi a orientação recebida pela Secretaria Executiva Regional (SER) III. Contudo, segundo confirmação dada por ele, a escola já recebeu reforço no quadro de funcionários e, aos poucos, tentará estabelecer a rotina normal. “Temos recebido muitos pedidos de transferência. As famílias conhecem a realidade da região melhor do que nós”, enfatiza.

O pai de dois alunos e professor do Programa Mais Educação na instituição confirmou que o local já conta com dois novos porteiros e dois vigilantes armados, conforme prometeu a Prefeitura, e que a Guarda Municipal está promovendo a segurança na entrada e saída dos estudantes. Ele destaca que muitos ainda não retornaram às salas de aula e que, nesse primeiro momento, os que comparecem estão sendo liberados uma hora mais cedo, por medida de precaução.

Conforme acrescenta, muitos professores já pediram transferência e a diretora se encontra afastada. “A vice está em seu lugar. Dessa vez, os professores bateram o pé e disseram que só reiniciariam as aulas quando a Prefeitura de Fortaleza tomasse providências. A gente só não sabe até quando teremos essa proteção”, conta.

Medo

Muitos pais ainda temem pela segurança de seus filhos. Uma das mães, também não identificada, disse que o policiamento não resolve a situação. “Eu trago porque eles precisam de educação, mas entrego e passo o dia rezando”, disse.

Outra moradora, que também preferiu não revelar o nome, afirma que essa não é a primeira vez que a escola fecha devido ao perigo na comunidade. “Meu neto precisa estudar. Se pararmos por casos de violência, ninguém mais sai de casa, pois a violência está em todo lugar”, acrescenta a senhora.

Em contato com a Guarda Municipal e Defesa Civil de Fortaleza (GMF), a assessoria de imprensa informou que a equipe da Guarda estará presente no local durante toda a semana, e que, diariamente, haverá a permanência de uma viatura com quatro agentes do pelotão especial, focando os horários de maior fluxo dos estudantes, de 7h às 11h, e de 13h às 17 h.

Diário do Nordeste