Estudo pelo mundo afora

A “graduação sanduíche”, possibilitada por bolsas de estudo, é um caminho para tirar os planos de intercâmbio da gaveta e colocá-los entre os livros universitários. Prepare-se para dar uma voltinha no mundo

A canção da vida, de que “o mundo é uma escola”, também pode ser comprovada ao tempo da graduação. As universidades brasileiras – públicas, ou particulares –, em parceria com instituições estrangeiras de ensino superior – da América à Ásia -, oferecem bolsas de estudo que possibilitam o aprendizado aqui e além. Ou também podem reconhecer o intercâmbio tradicional, custeado pelo aluno. Trata-se da “graduação sanduíche”.

“São vários programas (com bolsas). O Ciência sem Fronteiras é o mais popular, dirigido para as áreas tecnológicas. Outros são o Brafitec, entre o Brasil e a França, voltado para as engenharias, e o Duplo Diploma”, aponta a professora Maria Elias Soares, da Coordenadoria de Assuntos Internacionais da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Em geral, são programas de um semestre a um ano. Os alunos vão fazer um conjunto de disciplinas e, ao voltar, pedem o aproveitamento do estudo”, abrange.

No caso do popular Ciência sem Fronteiras, o candidato pode concorrer “a partir do segundo ano do curso (20% da carga horária) até o último ano (90%)”, orienta o professor Cláudio Marques, coordenador do programa na UFC. O programa abarca o Brasil inteiro e o nome já peneira: “Como é destinado às áreas de ciência e tecnologia, alunos de tecnologia têm conseguido maior aprovação”, informa Marques.

Bom rendimento acadêmico e proficiência do idioma de destino são condições primordiais da seleção. “Outras coisas que pontuam é se o aluno já teve prêmios em iniciação científica, olimpíadas (em Ciências Exatas)…”, soma Daniela Gardano Mont´Alverne, chefe da Divisão da Pesquisa da Universidade de Fortaleza (Unifor).

“Desde o início da universidade, se envolva em projetos de pesquisa. O teste de proficiência tem validade de dois anos, então, busque o conhecimento da língua e faça o teste o mais rápido possível”, indica Sônia Maria Vieira de Castro, coordenadora do Escritório de Cooperação Internacional da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

O caminho de méritos, traçado pelo estudante, leva a qualquer programa de “graduação sanduíche”, concordam os professores da UFC, Unifor e Uece. “Não é um processo difícil de ser aprovado”, considera Daniela Mont´Alverne sobre a seleção do Ciência sem Fronteiras.

Nos editais de janeiro passado, abertos por oito países, 12 alunos (de 70 inscritos) da Unifor foram selecionados, exemplifica Daniela. Dados parciais da Pró-Reitoria de Graduação da UFC também incentivam: 1.421 estudantes já participaram dos 15 editais lançados entre 2011 e 2012; 950 inscrições foram homologadas e 119 alunos, aprovados até aqui. Universidades na Espanha, em Portugal e nos Estados Unidos são os destinos mais concorridos.

Patrícia Moura, 22, que cursa o oitavo semestre de Nutrição na Uece, conseguiu fazer a ponte até a Universidade Católica Portuguesa (Porto): “Sempre fui boa aluna, então, não teve muita dificuldade. Sempre procurei participar de grupo de pesquisa, estava engajada em laboratório, como voluntária”.

Antes de saber o resultado da seleção para o Ciência sem Fronteiras, ela “já tinha pedido passaporte, dado entrada no visto, comprado euro… É muita coisa para pouco tempo!”. E, prestes a embarcar para Portugal (onde o semestre começa em setembro), Patrícia já arruma as malas para o futuro. “Quero seguir carreira docente, professor ou pesquisador (no Brasil). No exterior, vou aprender um pouco com eles”, planeja.

Onde

ENTENDA A NOTÍCIA

Países europeus e asiáticos – além dos EUA e do Canadá – abrem as portas das universidades para estudantes brasileiros da graduação. Instituições estrangeiras mantém convênios com a UFC, a Uece e a Unifor, por exemplo, ampliando a formação.

Como sair na frente

1. O estudante tem de ter bom rendimento acadêmico e proficiência no idioma do País de destino.

2. Há pontuação diferenciada para alunos que ganham prêmios em iniciação científica e olimpíadas.

3. Avalie o melhor período do curso para estudar fora. É importante voltar com tempo para aproveitar os créditos e o conhecimento.

4. Obter informações com a Universidade e colegas que já fizeram o intercâmbio para definir onde estão as melhores oportunidades.

‘Graduação sanduíche’
Programa Ciência sem Fronteiras: desenvolvido pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Ministério da Educação e com incentivos do Cnpq e do Capes. Até 2015, o programa vai oferecer 101 mil bolsas para alunos da graduação e da pós-graduação. A bolsa tem duração de 12 a 15 meses. O programa banca ainda: instalação (auxílio), passagens aéreas e seguro saúde.

Áreas contempladas: engenharias e demais áreas tecnológicas; ciências

exatas e da terra; biologia, ciências biomédicas e da saúde; computação e tecnologias da informação; tecnologia aeroespacial; fármacos; produção agrícola sustentável; petróleo, gás e carvão mineral; energias renováveis; tecnologia mineral; biotecnologia; nanotecnologia e novos materiais; tecnologias de prevenção e mitigação de desastres naturais; biodiversidade e bioprospecção; ciências do mar; indústria criativa (voltada a produtos e processos para desenvolvimento tecnológico e inovação); novas tecnologias de engenharia construtiva; formação de tecnólogos.
Países de destino: Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Coréia do Sul, Estados Unidos, Espanha, França, Holanda, Itália, Japão, Portugal, Reino Unido.

Mais informações: www.cienciasemfronteiras.com.br ouwww.cnpq.br (clicar no link “Ciência sem Fronteiras”).

Programa de Licenciaturas Internacionais (PLI): com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), injeta qualidade na graduação com o objetivo de melhorar a formação de professores. A bolsa tem duração de até 24 meses. O programa banca ainda as passagens aéreas.
Áreas contempladas: química, física, matemática, biologia, português, artes e educação física.

País de destino: Portugal. Os alunos selecionados vão para uma das seguintes universidades: Universidade Nova de Lisboa, Universidade da Beira Interior, Universidade do Algarve, Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra, Universidade de Évora, Universidade de Liboa, Universidade do Minho, Universidade do Porto, Universidade Técnica de Lisboa e Universidade Trás-os-Montes.
Mais informações: www.capes.gov.br (clicar no link “Cooperação Internacional” e, em seguida, em “Portugal”).

Além desses programas em destaque, a UFC, Uece e Unifor oferecem ou reconhecem outras formas de intercâmbio durante a graduação: desde o tradicional (financiado pelo próprio aluno) a parcerias específicas, como o Duplo Diploma e o Brafitec – entre Brasil e França, com foco nas engenharias. O caminho para chegar lá é a coordenação do curso, que traz as informações e faz a ponte até o programa desejado.

O Povo