Boi na linha

Tivéssemos homens públicos de alguma seriedade, o primeiro exemplo a mostrar seria uma profunda identificação com o ideal de uma sociedade mais justa, a partir de medidas concretas de apoio à educação. Em tempos eleitorais, aparecem as embromações de uma escola aqui e outra ali, parte de projetos que só têm começo. Governo algum leva a sério viabilizar a prioridade que deve ser conferida à questão educacional, possibilitando o atendimento das necessidades crônicas e a correção de flagrantes desequilíbrios setoriais que terminam punindo a área social. Joaquim Nabuco já dizia há 130 anos: “Não basta libertar os escravos. É necessário dar-lhes terra e educação”. Afinal, a educação é o primeiro e o mais rentável dos investimentos públicos. O Brasil começa na criança, no estudante, no universitário. É preciso não só construir escolas, mas garantir que as crianças as frequentem. Porque só com o domínio do saber, seja ele universal ou brasileiro, pode-se construir o progresso. Nessa área, porém, tem sempre boi na linha. Os maus governantes, tais como os maus políticos, pensam assim: um povo ignorante é mais fácil de ser domado.

Diário do Nordeste – COLUNA  – Regina Marshall (31/08/2012)