Escola fechada há 6 dias por causa da violência

Conflitos envolvendo gangues rivais assustam pais de alunos; grupo estaria planejando invadir a escola

O problema de insegurança pública tem gerado danos também no âmbito educacional. A violência registrada nos entornos das escolas da Capital, principalmente nas regiões da periferia, preocupam pais, alunos e funcionários das instituições. São assaltos, assassinatos e até disputa entre grupos inimigos que fazem com que o temor se espalhe cada vez mais.


Como medida de segurança, de acordo com a Prefeitura, equipe da Guarda Municipal acompanhará a entrada e saída dos estudantes Foto: Natinho Rodrigues

Estudantes da Escola de Ensino Fundamental José Carlos da Costa Ribeiro, no bairro Antônio Bezerra, por exemplo, estão há seis dias sem aula devido à violência na região. A instituição fechou as portas, na última sexta-feira (24), devido a conflitos envolvendo gangues rivais. Apenas um aviso fixado na porta da escola indicava a próxima segunda-feira, 3 de setembro, como previsão para retorno às aulas.

Com medo, moradores da região se recusam a falar, mas a informação entre eles é de que um grupo de uma das gangues planejava invadir o prédio para vingar a morte de uma criança ocorrida na semana passada, que teria sido causada por um bando inimigo e, por isso, a direção da escola teria decidido suspender as aulas.

O assassinato do vigilante de uma escola municipal no bairro Granja Portugal, na última quarta-feira (29), também chama atenção para o problema da violência. O crime aconteceu em plena luz do dia, no turno da manhã, no horário em que os estudantes estavam em sala de aula. Pelo clima de temor que se instalou entre eles, todos foram liberados pela direção da escola.

A Secretaria Executiva Regional III (SER III) informou que todas as providências possíveis estão sendo tomadas para restabelecer a normalidade na Escola José Carlos da Costa Ribeiro.

De acordo com a chefe do Distrito de Educação da Secretaria, Socorro Rodrigues, a primeira medida será reforçar a segurança interna com a presença de dois porteiros e dois seguranças armados.

Ronda

Para garantir a segurança externa, uma equipe da Guarda Municipal acompanhará a entrada e saída dos estudantes. O reforço de viaturas do Ronda do Quarteirão também foi solicitado. A Regional solicitou, ainda, que a Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC) providencie o reparo de toda a iluminação do entorno da escola, assim como encaminhou à Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) uma sugestão para mudar o itinerário da linha de transporte coletivo da região.

Sobre o funcionamento da unidade, Socorro Rodrigues esclarece, ainda, que os professores estão comparecendo para dar aulas, mas os pais, com medo, não estão levando os filhos à escola e, por esse motivo, será realizada, hoje, uma reunião com as famílias com o intuito de esclarecer as medidas que serão tomadas pela Regional.

Sobre os referidos casos, a Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), lamentou a morte do porteiro na escola do bairro Granja Portugal e informou que acionou a Secretaria Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), no sentido de garantir a segurança no local. A respeito da escola no Antônio Bezerra, a SME informou que a unidade se encontra fechada porque traficantes da região ameaçam a comunidade local, determinando a suspensão das aulas e que, também, pediu reforço policial.

A Prefeitura de Fortaleza ressalta, ainda, que desenvolve diversas ações para reduzir a violência que atinge as escolas, mas as ações não são suficientes para impedir a atuação de traficantes nos bairros da Capital, devendo o crime organizado ser combatido pela Secretaria de Segurança Pública. Conforme acrescenta a Prefeitura, em nenhuma das escolas citadas houve registro de violência dentro da unidade.

Reforço

De acordo com o Porta Voz da Polícia Militar do Ceará, tenente-coronel Fernando Albano, nas duas localidades citadas, o patrulhamento policial foi intensificado, especialmente nos horários de entrada e saída dos alunos.

Paralelo a isso, segundo acrescenta o tenente-coronel, a PM trabalha com o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), presente em mais de 83 municípios do Estado, e destinado a jovens de oito a 14 anos, na tentativa de minimizar os efeitos negativos da droga e os atos de violência.

Prazo

3 de setembro é o dia estipulado pela direção da Escola José Carlos da Costa Ribeiro, no Antônio Bezerra, como previsão para retorno às atividades

Diário do Nordeste