Grupo de comunicação RBS lança campanha em prol da educação

Empresa gaúcha informa que decidiu concentrar suas ações e seus investimentos sociais na educação, com prioridade nos estudantes

Com seis perguntas e seis compromissos, o grupo gaúcho de comunicação RBS lançou nesta terça-feira, dia 28, a campanha “A Educação Precisa de Respostas”. Em editorial no jornal Zero Hora, o grupo informa que “decidiu concentrar suas ações e seus investimentos sociais na educação, com prioridade nos estudantes” e “mobilizar a sociedade no sentido de participar do processo, fiscalizando a qualidade do ensino e valorizando a escola, os professores e as práticas inovadoras”.

A RBS promete “colocar todas as suas empresas e seus veículos de comunicação a serviço da qualificação da educação nos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina”.

Para inaugurar a campanha, foi promovido um painel para debater a educação brasileira com as presenças do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, dos secretários estaduais do Rio Grande do Sul, Jose Clovis Azevedo, e de Santa Catarina, Eduardo Deschamps, da secretária municipal do Rio de Janeiro, Claudia Costin, e do membro do Conselho Nacional de Educação e conselheiro do movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos.

Os participantes debateram alguns dos principais temas da educação, como o baixo aproveitamento escolar, a necessidade de valorizar e qualificar os professores, o desafio de melhorar a alfabetização e como tornar o ensino médio mais atrativo. O desempenho preocupante demonstrado pelo Rio Grande do Sul no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) também foi debatido. No ensino médio, a média caiu de 3,9 para 3,7, abaixo da meta de 4. Para o ministro da Educação, “o que joga o Ideb gaúcho para baixo é a reprovação”. Ele disse que “a aprovação automática não é a solução”.

Mercadante reiterou que a prioridade do MEC é a alfabetização na idade certa e citou que há Estados no Brasil em que 35% das crianças não aprendem a ler e a escrever até os oito anos. “Se não aprendeu, toda a vida escolar está comprometida”, afirmou. O ministro prometeu uma ajuda de custo para 315 mil professores alfabetizadores.

Outro ponto destacado pelo ministro foi o compromisso de ampliar o ensino integral nas escolas. “Todos os países desenvolvidos que têm escola de excelência têm escola de tempo integral”, afirmou. Segundo ele, o Brasil tem 30 mil escolas aderiram neste ano ao programa federal que prevê a ampliação da jornada escolar de quatro para sete horas diárias.

O ministro voltou a defender um novo currículo para o ensino médio, com a integração das atuais 13 disciplinas em quatro áreas principais abordadas hoje pelo Enem: matemática, português e redação, ciências da natureza e ciências humanas.

Segundo o jornal Zero Hora, o secretário catarinense da educação demonstrou preocupação com a vinculação entre o ensino médio e o Enem. “Com a definição do Enem como um indicador de qualidade, me preocupa que a gente foque demais a formação do ensino médio na preparação para a universidade, sabendo que apenas 30% vão para a universidade imediatamente”, disse Eduardo Deschamps. Ele defendeu que o ensino médio também prepare o aluno para o mercado de trabalho.

O secretário gaúcho informou que o Rio Grande do Sul já está reformulando o ensino médio. “Estamos implantando uma reforma que dialoga com questões como a interdisciplinaridade, do ensino por áreas do conhecimento, com 200 horas a mais por ano e estímulo aos alunos para fazerem pesquisa”, afirmou Jose Clovis Azevedo.

A secretária de educação do Rio de Janeiro e o conselheiro do Todos pela Educação defenderam a valorização do professor como principal ação para a melhoria do ensino. “Precisamos colocar o professor para trabalhar em uma única escola, sem perder tempo para deslocamentos e criando vínculos afetivos com alunos daquela escola”, disse Claudia Costin.

Mozart Neves Ramos destacou que um professor ganha, em média, R$ 1,8 mil, enquanto outro profissional com titulação equivalente recebe R$ 2,8 mil. Segundo ele, países que estão no topo da educação mundial pagam bem seus professores e atraem os mais interessados e melhores alunos. “A base de toda a aprendizagem começa por um bom professor. O Brasil tem um enorme dever de casa. A gente precisa responder a uma pergunta: por que a carreira do magistério não é atrativa no Brasil?”, perguntou.

O presidente do Conselho de Administração do Grupo RBS, Nelson Sirotsky, disse que a campanha “vai focar prioritariamente as suas ações institucionais no tema da educação” e buscar “respostas, com o firme propósito de criar uma mobilização das sociedades gaúcha e catarinense”.

Para 2013, a empresa prepara o lançamento do Prêmio Grupo RBS de Educação, uma iniciativa que visa reconhecer as melhores experiências de educação de escolas gaúchas e catarinenses públicas e privadas e também de instituições não-governamentais.

As seis perguntas da RBS

Por que o Brasil ocupa o constrangedor 88º lugar no ranking mundial de educação medido pelo Relatório de Monitoramento Global da Unesco entre 164 países?

Por que 34,5% dos alunos do Ensino Médio não estão na série correspondente a sua idade?

Por que apenas 2% dos estudantes querem seguir a carreira de professor?

Por que 89% dos estudantes chegam ao final do Ensino Médio sem aprender matemática?

Por que a maioria dos alunos brasileiros não aprende o esperado para a sua idade?

Por que muitos pais não participam da vida escolar de seus filhos?

Os seis compromissos da RBS

Divulgar temas relacionados ao ensino com foco prioritário no interesse dos estudantes

Valorizar a escola como centro de saber e espaço para o desenvolvimento individual e coletivo dos alunos

Dar visibilidade aos indicadores de qualidade da educação, especialmente às avaliações das escolas

Defender a valorização dos profissionais do ensino

Mobilizar a sociedade para participar ativamente no processo educacional, estimulando os pais a se tornarem agentes fiscalizadores da qualidade da aprendizagem

Destacar e premiar iniciativas inovadoras e positivas de ensino, para que sirvam como referência de qualificação

Leia o editorial As seis perguntas sobre educação que precisam de respostas

CGC Comunicação em Educação