Editorial: O racismo das cotas universitárias

“A solução é a Educação mas a partir da base. Não se pode construir um edifício sobre a areia, mas sobre colunas bem seguras e testadas. Precisamos de uma Educação primária completa, firme”, afirma jornal

Fonte: Diário de Pernambuco (PE)

O governo tentou acertar na “mosca” para perseguir o tão desejado desenvolvimento e equilíbrio social, mas desviou a pontaria. “Foi pior a emenda do que o soneto”. Quis usar a Educação para acabar com os resquícios do racismo de cor ainda existentes e tentar eliminar as terríveis e injustas diferenças sociais da nossa sociedade. Um ideal altamente louvável, pois a Educação é a única arma eficaz para conseguir esse milagre. Sem Educação todo o mundo é vulnerável à exploração dos sentimentos, às demagogias, aos caudilhismos; é vulnerável na saúde, na família, no acesso à comunicação; nunca teremos uma política decente, igualdade de direitos e deveres, cidadania, equilíbrio e bem-estar social. Sem Educação é um estar no mundo de olhos fechados.

É um olhar sem ver, um mirar sem enxergar. Sem Educação não há conhecimento, não há progresso. Ela desperta o raciocínio, germina as ideias que se tornarão forças invencíveis, capazes de transformar o mundo.Por isso o governo é digno dos maiores encômios quando pensou na Educação como o instrumento adequado para resolver as nossas históricas e vergonhosas mazelas sociais. Mas, lamentavelmente, errou no caminho. Preferiu o artificial ao natural. Fixou cotas exclusivas nas universidades para grupos “despreparados”.

E a Educação não dá saltos, não funciona por decreto. Se alguém não conseguiu o conhecimento indispensável para entrar numa universidade, não é por lei que o adquire. O que foi feito é a degradação, um atentado de lesa majestade contra o Ensino universitário, o que implicará na deficiência dos profissionais do futuro. Não é descer o nível da universidade ao nível dos menos preparados, é subir o nível do despreparado ao nível da universidade. Como poderemos confiar no médico, que não tinha base necessária para se matricular numa Faculdade de Medicina, mas foi empurrado por uma lei. Aliás, era de se esperar um protesto dos Docentes, por verem cair o nível de suas Escolas.

Por outro lado, com essa promoção “legal” criam-se situações altamente condenáveis. A lei cria uma espécie de racismo oficial, que pode gerar ódios e explosões. Como ficarão os candidatos, que revelam melhor aptidão (nota), ao verem passar à sua frente outros com classificação inferior, menos preparados, só por que são de cor, pobres ou egressos da Escola pública? Isso pode criar situações indesejáveis.

A solução é a Educação mas a partir da base. Não se pode construir um edifício sobre a areia, mas sobre colunas bem seguras e testadas. Precisamos de uma Educação primária completa, firme.

O Ensino básico deve ser gratuito para todos, de tempo integral, com Educação física, esportes, atividades sociais etc. Professores bem pagos, bibliotecas, equipamentos modernos e alimentação para quem precisar. É nisso que devemos investir se queremos um país desenvolvido, progressista, sem as nódoas das gritantes desigualdades que temos.

Bolsas… bolsas não resolvem. Bolsas de fome, de família, de aumento da prole, de cachaça, da preguiça, e outras, não resolvem. Essas bolsas são válidas para emergências de curta duração. Doutra forma transformam-se em esmolas degradantes, que nada recuperam. Tornam-se quistos sociais. Educação fundamental completa, resolve.