Jornal mostra relação entre Ideb e patrimônio de prefeitos

Correio Braziliense revela que em 14 de 30 municípios com forte queda no índice, os políticos aumentaram seus patrimônios

Uma reportagem do jornal Correio Braziliense publicada nesta segunda-feira, dia 27, revela que das 30 cidades onde o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) registrou as maiores quedas entre 2009 e 2001 em 20 delas os atuais prefeitos ou vice-prefeitos são candidatos nas eleições de outubro. Ao cruzar os dados com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o jornal informa que em 14 desses municípios os políticos aumentaram seus patrimônios.

A reportagem de Leandro Kleber cita o caso da cidade baiana de Glória, com 14 mil habitantes. O município faz parte da lista de mais de 900 cidades brasileiras que pioraram o desempenho dos alunos da rede municipal no ensino fundamental. A prefeita Ena Vilma Pereira Negromonte (PP), mulher do ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP-BA) declarou ter dois lotes, no total de R$ 8 mil. Este ano, informou patrimônio de R$ 281 mil, ou 35 vezes maior.

O secretário de governo da prefeitura, Nivaldo Lopes, afirmou que “o patrimônio da prefeita Ena Vilma é perfeitamente compatível com sua renda e está devidamente declarado no Imposto de Renda”.

Sobre a queda na nota do Ideb, ele diz que a cidade atingiu os índices acima da média brasileira e ressalta que a não inclusão das três maiores escolas da cidade no Ideb prejudicoo a avaliação do município.

Em Nova Castilho, no interior de São Paulo, a segunda cidade com maior queda no Ideb entre 2009 e 2011, o atual vice-prefeito, João Tamborlim Neto (PSDB), que tenta agora se eleger prefeito, passou de um patrimônio declarado de R$ 73 mil em 2008 para R$ 960 mil neste ano: aumento de 1.215%.

O candidato disse que “tem alguma coisa errada” na declaração ao TSE. “O que eu tinha em 2008 eu tenho agora em 2012. Não comprei nem vendi nada. Creio que o meu pessoal declarou errado”, garantiu. Sobre o Ideb, ele alegou que “o vice-prefeito tem limites”. “Não quis me inteirando muito nisso (educação). Mas as coisas vão melhorar”, prometeu.

Em Neves Paulista, também em São Paulo, o Ideb registrou a terceira maior queda entre as duas últimas avaliações. O prefeito Ilso Parochi (PSDB), que tenta a reeleição, teve o patrimônio passar de R$ 4,5 mil para R$ 70,1 mil em quatro anos. “Eu era padre e não tinha nada. Agora, guardo dinheiro”, disse ao Correio Braziliense.

O prefeito de Salto Grande, Geraldinho (PMDB), que tenta a reeleição, multiplicou o patrimônio por cinco entre 2008 e 2012: de R$ 35 mil para R$ 185 mil. Enquanto isso, os alunos da rede municipal tiveram em 2011 um desempenho pior do que o registrado em 2009. “Fiz uma reunião com o pessoal da educação e percebemos que a nota do último Ideb (2009) foi fora da realidade. Agora, voltou ao normal”, afirmou.

O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Célio da Cunha, defendeu mecanismos de punição aos gestores. “O Congresso Nacional precisa aprovar uma lei de responsabilidade educacional para evitar a má aplicação dos recursos e punir os gestores que não cumprirem as metas”, afirmou.

CGC Educação