Uma nova educação depende de todos

Toda unanimidade é burra, já diria o centenário Nelson Rodrigues. E, por isso, afirmar sempre, com convicção, que a educação pública é precária, sem infraestrutura, sem professores, sem futuro, é reduzir a história. É falar sem conhecer. Pude, durante os sete dias de produção desta série, conhecer bons exemplos de instituições de ensino da Capital com bom resultado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). São iniciativas que transformam realidades sociais e resultaram em boas notas.

Vi ainda que há muitos gestores nadando contra a maré na tentativa de construir uma cultura da educação.

É evidente que não dá para fechar o olhos para os problemas que persistem nas escolas. Nem tudo são flores. Comemorar um Ideb de 5,6, por exemplo, é ignorar que o índice segue uma escala de zero a 10 – e que outras escolas do Ceará alcançaram nota superior a oito.

Isso não pode ser ignorado pelos gestores com a justificativa de que comparar a rede da Capital com redes do Interior é errado. Deve-se, sim, olhar para os bons exemplos com a humildade de acolher o que está dando certo. Deve-se, além disso, comemorar que há professores, coordenadores, pais e alunos empenhados em construir um futuro diferente. Porém, é fato que essa transformação social e cultural ultrapassa os muros escolares e chega à casa de cada um. Todos devemos querer uma educação diferente.

Mariana Lazari, repórter do Núcleo de Cotidiano

O Povo