Ponto de vista

O Ideb é importante indicador para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. Considerando o desempenho e o fluxo para a construção do índice, tem-se uma inteligente estratégia de cálculo, pois uma boa escola seria aquela em que o aluno aprende, não repete e frequenta as aulas.

Caso a escola queira burlar os resultados nas avaliações, retendo os alunos com baixo desempenho para que não sejam avaliados, o índice cai, pois a taxa de reprovação vai pesar no cálculo. Do mesmo modo, passar o aluno sem que ele realmente tenha aprendido os conteúdos também vai representar “um tiro no pé”, pois ele fatalmente vai ter um baixo desempenho.

Desse modo, para se obterem bons resultados no Ideb, as escolas precisam, teoricamente, fazer com que o aluno aprenda o que ela tem a ensinar. Porém, isso se torna um desafio gigantesco, uma vez que vários problemas se avolumam e se sobrepõem, prejudicando a prática educativa. Problemas de gestão, formação e financiamento encabeçam o rol de dificuldades.

Entretanto, é justo dar mérito ao Ceará, que teve oito de suas escolas entre as melhores do País no Ideb. Isso é resultado de um investimento pioneiro em políticas educacionais.

Mas o fato de que há escolas que conseguem êxito e outras, não, numa mesma rede, sinaliza para uma urgente remodelação da gestão educacional, quer no nível macro da gestão estadual ou municipal, quer no nível micro, da escola. Desse modo, cada escola e cada rede necessitam se revestir de compromisso e responsabilidade, que é cuidar da educação dos pequenos cidadãos brasileiros.

Ana Paula de Medeiros, doutora em educação

O Povo