Educação para a vida

Dois fatos chamam a atenção para a situação da criança no Brasil. O primeiro, são os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao trabalho infantil.

Fortaleza, como mostrou matéria publicada ontem no jornal O Estado, tem quase nove mil crianças entre 10 e 14 anos de idade trabalhando. No Ceará, são quase 60 mil crianças nessa condição degradante.

É inadmissível que, no século da informação e do conhecimento, milhares de jovens estejam sendo empurrados para um futuro absolutamente inadequado frente às exigências vindouras do mercado. Enquanto as grandes potências mundiais há décadas melhoram a educação básica ofertada a seus jovens como forma de promover o desenvolvimento social, econômico e tecnológico, o Brasil continua a desperdiçar de forma grosseira o valiosíssimo tesouro que tem nas mãos: a juventude.

O segundo fato importante sobre esse tema, e que decorre diretamente do primeiro, é a campanha Educação Infantil de Qualidade, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, cujo objetivo é chamar a atenção das autoridades para a necessidade de garantia do acesso a creches e a pré-escolas de qualidade.

Muito embora a presidente Dilma Rousseff tenha assegurado que a construção de creches no País é prioridade de sua administração, nenhuma das 6.427 creches que ela prometeu durante sua campanha eleitoral entrou em funcionamento até agora.

Segundo dados do ministério da Educação, o programa ProInfância, lançado em ainda em 2007, só colocou em funcionamento no País apenas 347 creches, e todas construídas até o governo do ex-presidente Lula.

Sem um investimento maciço em educação de base – aquela cujas raízes levamos para todo o resto de nossas vidas acadêmicas e profissionais – pouco há de se fazer que não lamentar a oportunidade perdida ao vermos milhares de jovens presos a subempregos e alimentando o ciclo vicioso da criminalidade.