Proposta do governo é aceita por 18 categorias

A Condsef, que reúne cerca de 80% dos trabalhadores do Executivo, decidiu pela volta ao trabalho dia 3

Os pontos finais do acordo vinham sendo costurados em reuniões entre o governo e sindicalistas desde o último fim de semana FOTO: AGÊNCIA BRASIL

Brasília. A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) decidiu, em plenária ontem, aceitar a proposta de reajuste apresentada pelo governo. Ao todo, 510 mil servidores, entre ativos e inativos, de 18 categorias do chamado carreirão deverão receber aumentos que variam de 14,29% a 37,05% até 2015.

Na prática, os servidores de nível auxiliar terão aumento de até R$ 630; os de nível médio receberão R$ 930 a mais e os de nível superior, R$ 1 mil. Como os reajustes serão feitos na gratificação de desempenho, os aposentados ganharão apenas metade do percentual. Na assembleia, os trabalhadores decidiram que vão voltar a trabalhar, em todo o Brasil, na segunda-feira.

Uma parte dos servidores, no entanto, retornará ao trabalho hoje mesmo. Esse é o caso dos servidores federais no Distrito Federal, que decidiram na segunda-feira encerrar a greve. Às 16h de ontem, o secretário-geral da Condsef, Josemilton Costa, que reúne cerca de 80% dos trabalhadores do Executivo, participou de reunião no Ministério do Planejamento para apresentar a decisão da categoria.

“Nós aceitamos com algumas restrições. Nós queremos, por exemplo, que o governo continue negociando a tabela salarial da Lei 12.277, que em 2010 deu até 78% de aumento a cinco cargos de nível superior”, disse Costa, sobre o reajuste concedido a economistas, geólogos, estatísticos, engenheiros e arquitetos.

O carreirão reúne basicamente os servidores do Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE); da Carreira da Saúde, Previdência e Trabalho (CPST); e do Plano Especial de Cargos (PEC). Eles trabalham na Funasa, Funai, Arquivo Nacional, Imprensa Nacional, Museu do Índio, Embratur, Secretaria de Patrimônio da União, Polícia Rodoviária Federal (cargos administrativos) e nos ministérios da Saúde, Previdência, Trabalho, Cultura, Fazenda, Agricultura, Planejamento, Justiça, Transportes e Integração Nacional.

Segundo o secretário-geral da entidade, Josemilton Costa, nos próximos dias serão realizadas assembleias estaduais para reportar a decisão aos integrantes do movimento, que ele avaliou como positivo. Costa disse que o fim da greve não encerra a mobilização das categorias.

“Os 18 setores deliberaram pela assinatura do acordo, mas isso não significa que a mobilização vai parar. Vamos continuar em busca da equalização salarial. A proposta do governo ficou distante da nossa pauta, mas temos maturidade para entender que saímos do zero. O espírito da categoria é vitória, mas não vamos parar nossas lutas”, afirmou Josemilton.

Direito de greve

A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvati, disse ontem que o ambiente no Congresso Nacional é propício ao debate de uma lei que regulamente o direito de greve no serviço público, previsto na Constituição Federal. “Existe ambiente no Congresso para este debate, e há projetos em tramitação”, destacou a ministra. Segundo ela, os parlamentares terão condições de debater e aprovar a matéria. Ela considera a discussão necessária.

A ministra Ideli Salvati disse que o ambiente é propício ao debate de uma lei que regulamente o direito de greve no serviço público

Diário do Nordeste