Editorial: Alfabetização precária

“O Brasil é hoje a sexta potência econômica mundial. Mas na educação e na qualidade de vida somos apenas medianos”, afirma jornal

Fonte: Estado de Minas (MG)

O Brasil é hoje a sexta potência econômica mundial, mas resultados do último Indicador do Analfabetismo Funcional (Inaf) mostram que apenas 26% da população podem ser considerados plenamente alfabetizados, o mesmo resultado verificado em 2001, quando o indicador foi calculado pela primeira vez. Os chamados Analfabetos funcionais representam 27%, e a maior parte (47%) da população apresenta um nível de Alfabetização básico. Falta mais qualidade na Educação brasileira. Na Educação e na qualidade de vida somos medianos.

Estudo da Unesco (Education For AllDevelopment Index – EFA) que avalia o cumprimento de metas educacionais revela que o Brasil ocupa a 88ª posição entre os 127 países avaliados. No topo estão o Japão, o Reino Unido e a Noruega. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) classifica o Brasil na 84ª posição entre 187 países avaliados pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Os primeiros colocados são Noruega, Austrália, Holanda, Estados Unidos.

Os dados de 2012 do Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb) mostram que o Brasil superou pouco as metas na Educação propostas pelo Ministério da Educação (MEC) em 2011 nos dois ciclos do Ensino fundamental e apenas igualou a meta projetada para o Ensino médio. Criado em 2007, o Ideb é um indicador geral da Educação nas redes privada e pública e leva em conta dois fatores: rendimento Escolar, com taxas de aprovação, reprovação e abandono, e médias de desempenho na Prova Brasil. Essa prova avalia o desempenho de estudantes em língua portuguesa e matemática no final dos ciclos do Ensino fundamental, de 4ª série (5º ano) e 8ª série (9º ano), e no terceiro ano do Ensino médio.

Os resultados do Ideb mostram que 39% dos municípios e 44,2% das Escolas estão abaixo da meta. Em 2011, os estudantes dos anos iniciais do Ensino fundamental tiveram 5 pontos. A meta era 4,6, um índice que o país já havia obtido na avaliação anterior em 2009. Estudantes dos anos finais do Ensino fundamental tiveram 4,1 pontos em 2011. A meta era 3,9, também uma marca obtida há dois anos.

Os dados confirmam que precisamos qualificar – e muito – a nossa Educação, fator base para a inclusão social, cidadania e qualidade de vida. Se no Ensino fundamental a situação não foi boa, no Ensino médio foi muito pior. Em 2011, os Alunos alcançaram a meta projetada, de 3,7 pontos, mas o resultado foi praticamente o mesmo de dois anos atrás. As metas até 2022 fazem parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Para Alunos dos anos iniciais do Ensino fundamental é chegar a 6 pontos; para Alunos dos anos finais do Ensino fundamental é de 5,5 pontos e para o Ensino médio é de 5,2 pontos. A escala vai de 0 a 10.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, reconhece que o Ensino médio preocupa o governo. “Temos 13 disciplinas obrigatórias no Ensino médio da rede pública. É uma sobrecarga muito grande para o estudante e não contribui para ter foco nas essenciais: português, matemática e ciências. Outro problema é a parcela significativa de Alunos matriculados no curso noturno”. Luiz Araújo, colaborador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, afirma que “o Ensino médio sofre de carências que vêm se acumulando. A falta de um padrão mínimo de qualidade também atinge essa etapa Escolar”.

Os resultados do Ensino médio mostram que 9 estados tiveram redução das notas e curiosamente, em áreas regionais distintas. Em 2009 foram apenas dois. O mérito fica para algumas excelentes Escolas: Colégio de Aplicação – Universidade Federal de Pernambuco, que conquistou pela terceira vez nota 8,1 nos finais do Ensino fundamental; a Escola Ciep Glauber Rocha do RJ, em bairro violento, teve espantosamente nota 8,5, e a Escola Bom Princípio, no interior do Piauí, teve a maravilhosa nota 7,7.

Minas Gerais é campeão nacional nas séries iniciais do Ensino fundamental, com nota 5,9, e o Ceará teve boa média geral, de 4,9, superando muito a meta. Os dados mostram que nem sempre dinheiro é fator determinante para a excelência Escolar. Como educam essas excelentes Escolas? É necessário fazer um diagnóstico profundo dos fatores envolvidos nessas excelências Escolares e traçar programas competentes que devem ser praticados com o devido acompanhamento técnico do MEC para a consecução de Alfabetização plena e Educação de qualidade em todo o nosso Brasil.