Qualidade de educação e o Ideb

A melhoria da qualidade da educação brasileira não avança quase nada em termos de projeção para um futuro próximo.Com as metas determinadas (menos de 50% é a expectativa do MEC.) e a performance alcançada, teremos um país ainda muito atrasado nos próximos 20 anos pelo menos (tempo necessário para formação de toda uma geração de profissionais).

Dizer que foi bem sucedido este ou aquele estado brasileiro na última avaliação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é, no mínimo, falta de bom senso. Avançar 0,1 score beira o humor. Pedir que se alcance menos da metade da produtividade é muito pouco, mas pelo menos honesto, pois assim o MEC demonstra que não pode pedir muito frente ao quase nada que se investe na educação brasileira.

Outro fato relevante é que mesmo os índices alcançados, não certificam a boa leitura ou a capacidade crítica, ou mesmo o domínio efetivo de estruturas básicas da matemática. Embora no Ceará os jornais anunciem um sucesso de zero vírgula alguma coisa de avanço e citem, por exemplo, o Colégio Militar como excelência, é bom lembrar que no Enem, esta mesma escola esta 440º lugar e o conjunto das escolas cearenses fica entre 108º e o número 23.795º .

A crença de que faz algo muito bom é o maior prejuízo para fazer avançar a educação. Foi assim quando o Ceará acreditou na “balela” do ensino pela TV o que atrasou em anos e deixou uma geração inteira com péssima formação escolar. Agora, acredita-se que se tem bom investimento nos processos de alfabetização e formação de professores. Infelizmente, temos que aguardar o futuro, é assim na educação.

Mas posso, como educadora, somando mais de 40 anos de profissão, vendo tantos projetos e transformações, dizer que é necessário pagar melhor os professores, cobrar deles um compromisso mais efetivo com a profissão e atualizar métodos e materiais educacionais. É necessário substancial investimento educacional e parar de avaliações que significam quase nada no avanço efetivo da educação brasileira. Os processos de avaliação devem se atrelar a investimentos e não montar-se sobre meros discursos.

Adriana Oliveira Lima

adri.o.l@hotmail.com

Doutora em Educação e escritora

O Povo