Estudante cria página no Facebook para denunciar problemas de escola pública

Isadora Faber movimentou os debates sobre o descaso com a educação no Brasil
– REPRODUÇÃO

Isadora Faber, de 13 anos, é estudante do 7° ano, na Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, em Florianópolis, em Santa Catarina. Há pouco mais de um mês, a garota decidiu criar uma página do Facebook, intitulada “Diário de Classe” para denunciar o descaso com o colégio. A iniciativa conquistou os usuários da rede social. Criada em 11 de julho, a página conquistou mais de 30 mil seguidores desde a manhã do dia 27 até a manhã desta terça-feira, 28.

A inspiração para criar a página veio da iniciativa de uma garota do Reino Unido, que denunciava a qualidade da merenda escolar e chamou a atenção da secretaria de educação e de renomados chefes de cozinha. 

Diário de Classe
Portas danificadas, fiação em péssimas condições, bancos quebrados no refeitório e quadra de esporte abandonada eram algumas das reclamações da página. Após divulgar a situação na rede social, Isadora ganhou apoiadores no mundo virtual, porém, no mundo real, a realidade não foi semelhante.

Mesmo que tenha conquistado mudanças, como a troca de portas e fechaduras novas, a recepção, na escola, da iniciativa de Isadora não foi do agrado de professores e funcionários.

Isadora, além de destacar problemas físicos, divulgou a postura de alguns professores em sala de aula, principalmente o professor de matemática da escola. A estudante chegou a postar um vídeo em que mostrava a situação da aula do professor, mas sofreu pressão para retirá-lo do ar. “Me pressionaram de todas as formas para eu retirar os vídeos das aulas de matemática. Se arrependimento matasse já estava morta, mas se continuarem sem dar explicações vou publicar todos de novo e mais alguns”, postou na página.

A atitude rendeu indiretas de outros professores e de funcionários da escola. Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, Isadora destacou a situação. “Ninguém me apoiou dentro da escola, os professores são contra e funcionários também. Eles fazem cara feia para mim, dão indiretas. Meus colegas me apoiam no Facebook, mas na escola não. Acho que eles ficam com medo”, disse.

Repercussão
A ação de Isadora tem conquistado seguidores e apoiadores em todo o Brasil. A Secretaria de Educação de Florianópolis informou que, nesta terça-feira, haverá uma reunião com a direção da escola e só depois será feito um pronunciamento oficial.

Redação O POVO Online