Resultado ruim é incentivo para melhoria

Falta de participação da família na vida escolar e abandono da sala de aula são causas apontadas por quem teve baixo rendimento no Ideb. Condição socioeconômica também influencia

Fonte: O Povo (CE)

A primeira atividade da Professora em sala de aula é apontar os lápis dos mais de 30 Alunos. Fez isso com o lápis do filho, em casa, mas os pais dos Alunos dela, não. Na Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Thomaz Pompeu Sobrinho, no Itaperi, Professores e coordenadores se esforçam, mas ainda é difícil mudar a realidade de Ensino. Pouca participação da família na Educação dos filhos e evasão Escolar são apontadas por gestoras do colégio como causas para o baixo rendimento do 9º ano no Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb) 2011. As duas turmas alcançaram média 1,9.

O índice está longe da meta da Escola para a série (3,1) e é bem inferior aos 4,8 alcançados pelas três Escolas da rede municipal de Fortaleza com os melhores resultados no 9º ano – mostradas ontem pelo O POVO. Na Escola do Itaperi, o resultado foi recebido com lamento e virou incentivo para mudanças. “Estamos buscando as mentes pensantes da Escola para poder solucionar isso. Sentamos com pais, Professores… Porque não há um fator só que influencie no resultado. Cada qual tem uma responsabilidade”, aponta a diretora, Socorro Feitosa.

A partir deste ano, os Alunos com dificuldade em matemática – uma das disciplinas avaliadas pelo Ideb – estão tendo aula de reforço, e os Professores, tempo para planejamento. “Estamos buscando o que melhorar.”

A diretora e as coordenadoras dos Ensinos fundamentais I e II defendem, porém, que o Ideb não faz um retrato fiel da Escola. “Essa avaliação não abarca a situação real da Escola”, diz a coordenadora Socorro Quirino. Elas dizem, inclusive, que um Aluno do 9º ano de 2011 foi aprovado para o Ensino médio no Instituto Federal do Ceará (IFCE). Todavia, reconhecem, a evasão é desafio. “No início (do ano letivo de 2011), eram 22 Alunos. No dia da prova, só 12 estavam frequentando”, cita a diretora. A turma reunia Alunos mais velhos, trabalhadores e sem o mesmo nível da turma matutina. Tudo isso reduziu a média do Ideb, apontam.

Além desses desafios, para a coordenadora Socorro Quirino, o fato de a Escola estar em uma comunidade carente – a Vila Betânia, no Itaperi -, com casos de tráfico de drogas e violência, afasta os responsáveis pelos estudantes e, consequentemente, os bons resultados não vêm. “O aprendizado depende da família, não é só a Escola. É a família que deve estar em foco e participar da vida dos filhos”, diz a coordenadora.

DesafiosNa Emeif José Batista de Oliveira, o resultado representa desafio de transformação. Apesar de ter alcançado a meta, os 3,6 do 5º ano da instituição deixaram-na entre os 10 piores resultados da rede municipal (veja quadro ao lado). Para o diretor, Cézar Peres de Souza, o resultado reflete problemas antigos – como falhas na Alfabetização e conflitos na comunidade, no bairro Panamericano.
“Aqui tem muita evasão por conta do bairro. Há Alunos que têm primos, irmãos sendo ameaçados e precisam sair para outra Escola. Esse é um impacto que deve ser considerado”, avalia. Cézar pondera que projetos de aproximação da família, além de leitura e reforço Escolar, já estão em execução para que os resultados da Escola melhorem.

Na Escola com pior índice do 5º ano da rede municipal – a Emeif André Luís, no Jangurussu – a diretora, Alessandra Gaspar, conta que são oferecidos projetos e oportunidades para os estudantes, “mas nem todos abraçam as oportunidades que a Escola tem”, lamenta. “Aqui temos o (programa) Mais Educação, não falta material, Professor. Fazemos ‘n’ projetos para melhorar o aprendizado”, garante. A série ficou com nota 2,8.

Ela cita que, além da baixa participação da família na vida Escolar, muitos estudantes abandonam a sala de aula para trabalhar ou trocam o estudo em casa por trabalho. “A Escola é um ganho de dinheiro a longo prazo. Mas eles querem dinheiro hoje”, diz. A Escola desenvolve projeto de combate ao trabalho infantil, mas não adianta. “Depende da própria criança querer. Mas todos temos parcela de responsabilidade.”