Professores da UFC criticam manutenção de parte da diretoria do sindicato

Professores da Universidade Federal do Ceará (UFC) criticaram a manutenção de parte da diretoria à frente do Sindicato dos Docentes das Universidades do Estado do Ceará (Adufc). Eles lamentaram o anúncio do novo presidente da entidade, professor Ricardo Thé (vice), que assume após a renúncia do presidente Marcelino Cavalcante Pequeno e da secretária-geral, professora Marília Lopes Brandão, nesta segunda-feira (27).

Na última quinta-feira (23), professores e alunos da UFC protestaram em frente à sede da Adufc FOTO: Lucas de Menezes

O professor Tiago Coutinho, do curso de Comunicação Social, afirmou não ter entendido o porquê de a ação da renúncia não ter sido  completa. Para ele, mais pessoas deveriam ter deixado os cargos no sindicato.

Tiago criticou, ainda, a carta da secretária-geral, professora Marília Lopes Brandão. “Lamento a carta da professora Marília, que fala de uma forma equivocada sobre os professores”, disparou. Lamento também que o novo presidente seja o Ricardo Thé, pois era ele que estava na mesa do dia da assembleia e que deu o golpe para finalizar a greve”, emendou.

“Politicamente ainda estou tentando entender o que isso significa. Acho que toda a diretoria deveria renunciar diante da situação constrangedora a que submeteram os professores”, finalizou.

Discordância

A professora Camila do Espírito Santo, que atua no Cariri, tem “esperança de que as pessoas cumpram seu papel de sindicalista ouvindo sua base”. Camila acredita que as renúncias são mostras de discordância com as decisões do sindicato. “Espero que isso (as renúncias) signifique que o professor Marcelino e a professora Marília não estão concordando com as ações”, opinou.

“Espero que o professor Ricardo cumpra o papel dele como presidente da Adufc chamando a assembleia que foi pedida pelos mais de 500 professores. Ainda temos esperança que a questão se normalize e possamos discutir juntos. Que este movimento não seja um movimento de aumentar o autoritarismo, mas de lutar pelo diálogo pela base”, ponderou.

Insatisfação

A professora Maria do Céu, que é funcionária da UFC na Capital, afirma que a classe está insatisfeita com seu sindicato. “Há uma grande insatisfação dos professores da UFC e da Unilab em relação às práticas dessa diretoria. Nós entendemos que essa renúncia vem no contexto dessa insatisfação. A diretoria deve reconhecer esse processo, inclusive, porque na última assembleia no nosso entender assumiu uma prática inadequada”, exprimiu. “A renúncia do professor Marcelino e da professora Marília é da responsabilidade dos dois e entendemos que são eles quem precisam justificar e reconhecer o que fizeram”.

A docente também criticou a carta apresentada pela secretária-geral. “Achei muito complicado, no caso da carta de renúncia da professora Marília, responsabilizar outros pela sua atitude. Isso é, no nosso entender, inadequado porque o Diário do Nordeste publicou o que nós fizemos no final da tarde de quinta-feira (23) para entrega da petição. Foi um ato pacífico, ordeiro. Não havia intenção de ocupar a sede ou danificar o patrimônio da Adufc. Inslusive, havia jornalistas lá, nos acompanhando. Não houve tentativa de invasão porque nós não concordamos com este tipo de prática”, defendeu.

A professora ainda elogiou a nota enviada pela reitoria da UFC. “A nota da reitoria hoje sinaliza que há um conflito. Acho que a reitoria acertou quando entendeu que esta é uma questão para ser resolvida no próprio movimento”, afirmou.

Sobre o novo presidente, a professora desconfia que sua presença possa não trazer grandes novidades para o sindicato. “Vamos fazer uma reunião de avaliação. Prefiro escutar o coletivo de professores, mas entendemos que o professor Ricardo Thé é representante do mesmo campo que sustenta essa diretoria. E era ele quem presidia a última assembleia, quando no nosso entender houve um grande golpe, já que a greve não estava na pauta daquela assembleia”, explicou.

Levi de Freitas

Diário do Nordeste