Presidente da Adufc renuncia em meio a impasse sobre fim da greve

Marcelino Pequeno renunciou ao cargo – THIARA NOGUEIRA

O presidente do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc Sindicato), Marcelino Cavalcante Pequeno, renunciou ao cargo, segundo nota publicada nesta segunda-feira, 27, no site da entidade. No lugar dele, assume o professor Ricardo Silva Thé Pontes, membro da diretoria do sindicato que assinou o comunicado oficial sobre o fim da greve entregue às reitorias da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).

Na carta de renúncia, Marcelino Pequeno diz também ter deixado o cargo de 2º tesoureiro e membro do Conselho Deliberativo da Federação de Sindicatos de Instituições Federais de Nível Superior. “Agradeço todo o apoio e a colaboração dos diretores e de muitos professores durante nossa gestão. Tenho confiança que deixo a Adufc em mãos adequadas às circunstâncias do momento”, escreveu.

Secretária-geral também deixa o cargo
Em sua carta de renúncia, a professora Marília Lopes Brandão justifica a posição devido à “forma agressiva e antidemocrática usada pelas lideranças que representam o ANDES em nosso estado” e por motivos particulares. Ela citou ainda o tumulto ocorrido na última quinta-feira, 23, como um dos motivadores da atitude: “Um grupo de estudantes e professores com gritos de guerra desacatavam colegas de diretoria com insultos e atos de terrorismo ideológico contra uma de nossas diretoras. Confesso que temi por minha segurança pessoal e pela dos colegas e funcionários presentes”.

Reitoria se manifesta sobre impasse
Por meio de nota, o reitor e vice-reitor da UFC, Jesualdo Farias e Henry de Holanda Campos, respectivamente, reconheceram o conflito entre os professores e o movimento sindical. Para os superiores, é necessário o empenho de toda a comunidade acadêmica para superar o impasse e possibilitar o retorno às atividades na instituição.

“Essa construção é coletiva e complexa, e nesse processo a liberdade individual e a expressão da diferença devem ser profundamente respeitadas. Não podemos perder de vista a formação discente, a produção e difusão do conhecimento e todos os serviços públicos e sociais inerentes à vida universitária”, diz a nota. “A Administração Superior da Universidade Federal do Ceará confia na capacidade do movimento sindical de resolver os conflitos e construir as soluções desejáveis à normalização das atividades”.

Entenda o caso
O impasse entre os professores da UFC e o Sindicato Adufc começou no último dia 22, quando foi decretado, em assembleia, o fim da greve dos docentes da instituição. Um grupo de professores acusou o sindicato de ter realizado um “golpe” para dar fim ao movimento. Em contrapartida, a diretoria da entidade nega que isto tenha ocorrido.

Com o conflito, professores insatisfeitos solicitaram a marcação de uma nova assembleia. Segundo a Adufc, o documento foi encaminhado para assessoria jurídica e aguarda resultado para que seja tomada uma posição.

Redação O POVO Online