“A greve está começando hoje”, diz professor em manifestação na UFC

Professores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) realizaram duas manifestações na tarde desta quinta-feira (23), demonstrando que não devem acatar o resultado da assembleia, que deliberou pelo fim da greve na quarta-feira (22), com 159 votos contra 5 e 11 abstenções. Segundo as palavras do professor Pedro Humberto, em discurso, “a greve está começando hoje”, afirmou, demonstrando descontentamento.

O primeiro ato começou por volta de 14h30 na Reitoria da UFC, onde houve manifestações de insatisfação com a postura do Sindicato dos Docentes da UFC (Adufc). Logo em seguida, os docentes, junto com estudantes e simpatizantes do movimento, foram às portas do sindicato. Lá, protestaram e bloquearam dois terços da Avenida da Universidade até o início da noite, o que deixou o trânsito ainda mais complicado que o habitual na área. Às 18h09, as três faixas foram bloqueadas por alguns minutos.

Abaixo-assinado

Na internet, os docentes haviam promovido um abaixo-assinado, pleiteando uma nova assembleia na terça-feira (28), para avaliar a atual conjuntura e discutir os encaminhamentos da greve. A petição havia colhido mais de 400 assinaturas de professores, até o início da tarde. Segundo o professor Stênio Falcão, do curso de Enfermagem da UFC, eram necessárias cerca de 250 assinatura para solicitar uma nova assembleia à Adufc. Os professores conseguiram entregar o documento no sindicato somente às 18h40 e segundo a Adufc, ele será apreciado e respondido no tempo estatuário, ou seja, 48 horas.

A professora do departamento de Geografia Maria do Céu de Lima afirmou que “os professores foram recebidos com as portas fechadas em suas caras”. Mais cedo, na Reitoria, ela afirmara que o fim da greve “não corresponde à realidade” para os professores insatisfeitos. “A universidade não retomou as aulas”, enfatizou, repercutindo o anúncio da Reitoria de que iria iniciar as discussões para formar um novo calendário.

Sindicato não concorda com as manifestações

O Sindicato informou em nota à imprensa que foram proferidos gritos de guerra ofensivos à diretoria da instituição. Segundo a Adufc, a porta do Sindicato não foi aberta para “resguardar a
integridade física do quadro de funcionários e do patrimônio da instituição”. A diretoria informou que não concorda com esse tipo de manifestação, a qual “contribui para o enfraquecimento da categoria”, declarou.

Durante a manifestação, a parede da fachada do sindicato foi grafitada com palavras como “Fora Proifes”, em referência à Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior, cuja desfiliação ou não deve ser votada em plebiscito, nos dias 30 e 31 de agosto.

Para o estudante de Medicina e representante da Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel), Max Nunes, o qual não foi responsável pelo ato,  “isso deveria ser encarado como manifestação artística”, mas ainda assim era para ser evitado, pois pode colocar a opinião pública contra o movimento, disse. O professor de curso profissionalizante,  M.N. (identidade preservada), afirmou que “existe maneiras melhores de se reivindicar. Ao grafitar o muro, eles perdem a razão”, afirmou.

Servidores permanecem paralisados

O Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais no Estado do Ceará (Sintufce) informou que os servidores técnicos administrativos não finalizaram a greve na assembleia realizada na tarde desta quinta-feira. Segundo o coordenador de administração e finanças do sindicato, Djalma Siqueira, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) não assinou o acordo com a categoria, como previsto. A assinatura foi adiada para esta sexta-feira (24). Desse modo, uma nova assembleia está marcada para segunda-feira (27), onde será votado o fim ou a continuidade da greve.

Diário do Nordeste Online