Opinião: Incertezas sobre a Educação

“Um novo Ensino Médio sem uma nova formação universitária não levará a escola a percorrer nenhuma trajetória que já não tenha sido experimentada. É hora de reinventar-se a Educação em todos os níveis”, afirma Alexander Goulart

Fonte: Zero Hora (RS)

*Alexander Goulart

A frustração diante dos resultados educacionais tem levado o Ministério da Educação, nas últimas semanas, a apontar para a necessidade de mudanças estruturais no sistema educacional. Propostas concretas estão sendo apresentadas, como melhorias no Enem e uma nova organização curricular, especialmente para o Ensino médio.

É sabido que os modos de ensinar e aprender têm passado por profundas transformações que exigem da instituição Escolar outro jeito de ser e fazer. Os movimentos de transformação não vêm apenas dos órgãos oficiais, mas ganham força nos apelos dos Professores e, sobretudo, na força que nasce do interior da sala de aula, ou seja, a expectativa dos estudantes por mudanças no currículo e nas metodologias de Ensino-aprendizagem.

A condição da cultura contemporânea é movediça, inconstante. Eis a dificuldade, não é possível normatizar o tempo e diariamente surgem situações desconhecidas que proliferam em meio a um panorama de incertezas. É o tempo da fragilidade, da debilidade do sujeito e das instituições. Diante desse panorama incerto, as propostas do Ministério da Educação oferecem uma resposta possível, especialmente na reorganização curricular não mais em disciplinas, mas em grandes áreas do conhecimento. Mas quem será o protagonista na implantação do novo modelo? O diretor da Escola? O pedagogo? O Professor? O estudante? Independentemente de quem lidere, é evidente que mesmo uma Educação que coloque o estudante no centro da aprendizagem não prescinde do Professor como mediador fundamental nesse processo.

A mediação do Educador junto aos seus educandos, auxiliando nas conexões entre aquilo que propõe o currículo e a aprendizagem vinculada com competências e habilidades necessárias para a vida real, o aqui e o agora, é peça-chave. Nessa perspectiva, antes de qualquer mudança estrutural no sistema educacional, como daremos conta de uma nova formação acadêmica aos Professores? Antes da Educação básica, ou pelo menos em paralelo, são os cursos superiores de formação de Professores que precisam de renovação. É lá que os currículos estão mais defasados e o conhecimento disperso. Um novo Ensino médio sem uma nova formação universitária não levará a Escola a percorrer nenhuma trajetória que já não tenha sido experimentada. É hora de reinventar-se a Educação em todos os níveis.