Apenas 13% dos alunos estudam em escolas com tempo integral

O Programa Mais Educação, que executa a educação integral, está presente em 221 das 312 escolas da rede municipal de Fortaleza

FOTO: ANDERSON SANTIAGO / O ESTADO

Thatiany Nascimento
thatynascimento@oestadoce.com.br

Das 7h às 11h, a Escola Frei Tito de Alencar Lima, no Vicente Pinzón, é o destino da estudante Michaeli da Costa Cruz. Das 13h30min às 16h30min, o local volta a servir de abrigo para a menina de 10 anos que adora teatro, tem dificuldades em matemática e sonha em fazer natação. Ela está entre os 13% dos alunos municipais que, hoje, têm acesso à educação integral em Fortaleza. Na Capital marcada pelas desigualdades, a iniciativa (defendida tão veemente em época eleitoral), muito mais que um projeto pedagógico, é vista como válvula de escape social para crianças e adolescentes. 

Há três anos, Michaeli trocou as tardes ociosas em casa pelas atividades do Programa Mais Educação, presente, este ano, em 221 das 312 escolas da rede municipal. “Eu adoro as oficinas de teatro. Sempre quis participar. Até que meu irmão decidiu vim e eu vim junto. No letramento, eu tiro as dúvidas de matemática, porque, na verdade, eu não gosto muito”, disse de forma desinibida a estudante que, ontem, dividia a sala com outros nove colegas no acompanhamento pedagógico em Ciências.

“Até esse jeito mais solto, consideramos um progresso. Porque muitos desses alunos chegam aqui quietos, introspectivos, ou até mesmo violentos. Com o complemento ao período regular, temos a possibilidade de trabalharmos outras dinâmicas e melhorarmos esses comportamentos”, defendeu a monitora Ivonete Adriana Moreira. A instrutora, graduanda em Pedagogia, pertence à própria comunidade e divide o ofício de orientação das ações do Programa com outros 1.199 monitores em Fortaleza.

CUSTOS DO PROGRAMA
A remuneração paga pelo Ministério da Educação (MEC) aos instrutores é de R$ 60,00 por cada turma. “É um ressarcimento das despesas com transporte e alimentação. O MEC estimula o trabalho voluntário e, em geral, quem cumpre essa missão são universitários e, em alguns casos, agentes da própria comunidade”, explicou a representante da Secretaria Municipal de Educação e coordenadora do Programa no Município, Flávia Goes.

Para cada estudante, que permanece na jornada de sete horas diárias, durante os cinco dias da semana, o MEC investe 30% a mais de recursos. O custo anual por aluno do Programa, hoje, em Fortaleza, fica em torno de R$ 2.860. Em 2011, quando o número de escolas integrantes era 194, cerca de 6 milhões de reais foram disponibilizados pela Pasta Federal.

Além disso, Flávia explicou que dos 11 mil professores da rede municipal, 312 estão envolvidos no Programa, já que cada escola possui um coordenador. Nesse caso, os custos com os educadores são pagos pelo próprio município. “Todos os professores acabam saindo da sala de aula e temos que pagar um substituto. Esse custo fica em torno de R$ 4.000 mensais por cada professor”, completou.

LIMITAÇÃO DA ESTRUTURA
Adotado em Fortaleza desde 2008, o Mais Educação segue os preceitos da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e mais recentemente do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado, em junho, na Câmara Federal. Até 2020, conforme o PNE, 50% das escolas públicas do País deverão ter adotado tal modalidade.

Um ideal que embora pareça perto na Capital, ainda passa por uma série de limitações, dadas as condições estruturais de algumas escolas. “Esse é o maior problema que enfrentamos. A adesão da escola é voluntária, mas segue critérios estabelecidos pelo MEC. Muitas escolas, apesar de manifestarem a vontade de ter o Programa, não têm a mínima condição física”, contou.

Para solucionar a dificuldade, construir novas escolas ou ampliar as existentes é uma das prioridades. Nos últimos oito anos, conforme a SME, 37 equipamentos foram edificados e outros 55 expandidos.

O Estado – CE