Proposta do MEC é bem recebida

A proposta do Ministro de Educação, Aloizio Mercadante, de transformar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na medida de avaliação para a base de cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi bem recebida, ontem, em Fortaleza. Para o secretário adjunto da Secretaria de Educação Básica do Estado (Seduc), Maurício Holanda, a medida “é muito importante, porque, através do Enem, será possível incluir nesse cálculo um universo muito maior de pessoas”.

Atualmente, o Ideb é calculado a partir dos índices de aprovação no Ensino Médio e em nota de provas de Português e Matemática feitas por amostragem. “O ministro não quer mais utilizar uma prova amostral”, explicou Maurício Holanda. Além do Enem ser anual, somente no Ceará, cerca de 92 mil estudantes estão inscritas neste ano para fazer o Exame Nacional, enquanto na forma de cálculo atual do Ideb o número de alunos pesquisados ficou em torno de três mil.

Também o mestre em Educação Marco Aurélio de Patrício Ribeiro vê com bons olhos a ideia de Mercadante. Para ele, a proposta é “interessante”, uma vez que o Enem trouxe um modelo de avaliação dos conhecimentos que é mais analítico e de interpretação raciocínio, “além de ser menos decorativa ou meramente conteudista, então, é válido para critério de análise”.

Os índices de abandono e reprovação, considerados os gargalos na educação básica do País, preocupam não só o ministro, como o secretário adjunto da Seduc e o educador Marco Aurélio. Contudo, o dirigente da Seduc aponta que o Ceará obteve avanços em relação aos demais estados do País.

Tanto que, em 2005, o índice de aprovação no Ensino Médio ficou em 74% e, no ano passado, subiu para 83%. Já a reprovação e abandono em 2005 ficaram em 26% e, no ano passado, caíram para 17%.

Preocupação

Já Marco Aurélio lembra, ainda, que o índice de abandono no Ensino Médio no País é de 52%, o que considera altamente negativo, remetendo a uma necessidade de reformulação que deveria incluir não apenas questões de conteúdos ou estritamente relacionados à escola.

Em sua opinião, a desistência dos alunos remete à reflexões sobre mudanças sociais e estruturais, pois envolvem a falta de um projeto de vida ou a necessidade dos jovens de trabalhar para garantir a sobrevivência. “Nessa fase, existem problemas, como uma gravidez precoce ou inúmeras outras questões que interferem na aprendizagem”, disse.

Diário do Nordeste