Novas greves se espalham pelo CE

Paralisação nos setores estadual e federal se intensificam, neste mês, e levam mudança para a vida da população

As greves no serviço público se proliferam no Ceará, incluindo setores considerados essenciais e, quase sempre, alterando o dia a dia da população. No âmbito nacional, enquanto as agências reguladoras, os professores e servidores de universidades federais e agentes federais estão parados, a próxima categoria a cruzar os braços será a Polícia Rodoviária Federal (PRF), sexta-feira (24). Em nível local, o pessoal da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) deflagrou, ontem, estado de greve.

Serviços como a emissão de passaportes estão sendo prejudicados devido à greve de servidores da Polícia Federal. Ontem, a Semace deflagrou estado de greve, e a Polícia Rodoviária Federal para na próxima sexta-feira FOTO: KELLY FREITAS

A decisão dos servidores da PRF, no Ceará, foi tomada em assembleia realizada na manhã desta segunda-feira e deverá reforçar a mobilização da categoria no País. Na ocasião, foi aprovado que 30% de todo o efetivo manterão em funcionamento os serviços essenciais do órgão.

A presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais do Estado do Ceará, Tatiane Monteiro, garante que a sede da PRF não funcionará durante a greve, mas equipes serão disponibilizadas para fazer o atendimento em acidentes com vítimas. “Esse percentual vai fazer o atendimento de ocorrências que gerem muito prejuízo à população”, explica.

Contudo, um dia antes do início da greve da PRF no Ceará está agendada uma reunião com o Ministério do Planejamento, informou Tatiane Monteiro. A expectativa é de que o Governo Federal apresente uma proposta às reivindicações. Mas caso não ocorra avanço nas negociações, serão intensificadas as mobilizações no País, anunciou a Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais.

Destacam-se entre as principais reivindicações: a equiparação com os agentes da Polícia Federal, o reconhecimento do nível superior e a reposição das perdas salariais. Os servidores estão há quase dois anos sem aumento, diz a sindicalista.

Estado de greve e uma nova assembleia geral no dia 3 de setembro, às 15 horas, na sede da superintendência. Essas foram deliberações tomadas na assembleia realizada, ontem, na sede do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estado do Ceará (Mova-se), pelos trabalhadores da Semace. A insatisfação é motivada pela dificuldade em negociar com o governo do estado melhorias salariais e nas condições de trabalho, explica a diretora do Mova-se, Rita Galvão.

Implantação do Plano de Cargos e Carreira e da gratificação de plantão no fim de semana estão entre as contrapropostas aprovadas, ontem, por quase 300 servidores de nível médio da Saúde do Estado, também em assembleia, e que serão encaminhadas ao governo, informou a presidente do Sindsaúde, Teresa Neuma Siqueira. Admitiu que a greve de auxiliares e técnicos de enfermagem, auxiliares e técnicos de laboratório – iniciada no dia 10 deste mês – atinge o funcionamento de hospitais, postos de saúde e laboratórios públicos.

No País

Em nível nacional, continuam em greve as 10 agências reguladores da prestação de serviços na esfera federal mais o Departamento Nacional de Produção Mineral (DPPM). Segundo Roberto César Vasconcelos, diretor no Ceará da entidade que representa esses trabalhadores, o Sinagências, boa parte desses servidores pararam suas atividades em 16 de julho passado.

“Temos problemas com tabelas de remuneração, uns ganham mais outros menos”, disse o presidente do Sindicato, explicando que a luta é pela paridade dos vencimentos com os recebidos na Receita Federal. Outra reivindicação é pela paridade entre o aposentado e aquele que está na ativa. “Hoje, quem se aposenta perde cerca de 50% dos vencimentos, pois não leva as gratificações”, frisou.

Para o sociólogo Élcio Batista, o País e o Ceará atravessam um momento de muitas greves, o que é um direito constitucional. Porém, observa que esse direito está previsto nas Constituição de 1988, mas não foi regulamentado no setor público, ficando as decisões na esfera judicial, quando cabe ao Congresso Nacional legislar sobre o assunto. E isso, inclui as medidas visando reduzir os danos que os movimentos trazem para a população.

O sociólogo lembrou que as várias greves neste momento são motivadas por outro fator: no fim deste mês termina o prazo para o governo federal definir o percentual de aumento das categorias profissionais para o próximo ano. “As greves foram decretadas em julho e agosto também em virtude dessa data”, comentou, esclarecendo que os danos passaram a ser mais visíveis quando as paralisações começaram a atingir a classe média, com a suspensão de atividades como emissão de passaporte e movimentação dos portos.

Especialista explica que a greve é direito constitucional, no entanto, ainda não foi regulamentada por legislação no Congresso Nacional

MOZARLY ALMEIDA
REPÓRTER

Diário do Nordeste