Maratona da inclusão

Crianças de 6 a 12 anos participaram da corrida e todas ganharam medalha. Os vencedores levaram pra casa uma bicicleta – FOTOS EDIMAR SOARES

Samuel Ribeiro já não aguentava mais ficar assistindo a 6ª Edição do Circuito Caixa de Maratoninha do lado de fora da grade de proteção, na manhã de ontem, em frente ao Parque do Cocó.

O olhar atento, fixo no percurso de 300 metros, onde logo mais correria, era o desenho da ansiedade. “Ele é animado. Acordou às cinco horas da manhã”, contou a mãe, a dona de casa Elisângela Ribeiro.

Primeira participação em evento esportivo, o garoto de dez anos teve de esperar as três primeiras categorias antes de entrar na pista para correr no grupo especial, o dos deficientes. Ele era o único cadeirante desta edição do Circuito.

Com hidrocefalia e mielomeningoncele, doenças conhecidas por se desenvolver ainda durante o período gestacional da mãe, Samuel se locomove com cadeira de rodas. Mas nem por isso se priva da prática de esportes: há um mês, começou a jogar capoeira. E costuma jogar basquete com os vizinhos.

Sobre a expectativa de correr pela primeira vez na Maratoninha, Samuel confessa: “Nem dormi direito ontem (sábado). Estou ansioso demais! Quero a medalha”, disse ele, com um sorriso aberto no rosto.

O garoto ganhou medalha de participação no Circuito, assim como os 1.500 inscritos nas quatro categorias do evento: 6 a 8 anos; 9 e 10; 11 e 12; e o grupo especial. Os vencedores de cada categoria ganharam uma bicicleta.

Na categoria masculina de seis a oito anos, Francisco Lucas Linhares, 8, correu de pés descalços. Apesar de ter participado pela terceira vez, esta foi a primeira em que venceu.

“Me preparei para a corrida nadando e jogando com os meus amigos. Vim para vencer. E ganhar uma bicicleta é bom demais”, disse Lucas.

O que importa é competir

Para o ex-atleta e padrinho do evento, Claudinei Quirino, a Maratoninha é uma forma de apresentar o esporte à criança.“É uma corrida simples, mas ensina os moleques a perder e a ganhar. Aqui a participação é de todos, da classe A à periferia. E quando uma criança que vem da periferia ganha uma bicicleta, os colegas vibram juntos”.

Dos 1.500 inscritos, 1.200 eram crianças de projetos sociais. Segundo a organização do evento, a Maratoninha não tem caráter competitivo.

“Aqui a participação é de todos, da classe A à periferia. E quando uma criança que vem da periferia ganha uma bicicleta, por exemplo, os colegas vibram como se todos eles vencessem juntos”, disse o ex-atleta e padrinho do evento, Claudinei Quirino

1.200 dos inscritas eram crianças de projetos sociais. Segundo a organização, a Maratoninha não tem caráter competitivo

“Me preparei para a corrida nadando e jogando com os meus amigos. Vim para vencer. E ganhar uma bicicleta é bom demais”, disse o competidor Lucas Linhares, de 8 anos

300 metros é o percurso que as crianças correram na 6ª Edição do Circuito Caixa de Maratoninha, em frente ao Parque do Cocó

Dicas

 

O exercício físico ideal para cada criança:

1. Nos primeiros anos de vida, recomenda-se a prática de atividades de psicomotricidade;

2. Até 5 anos, os exercícios devem ser naturais, ao ar livre, como correr, dar cambalhotas e fazer estrelinhas. Esportes como natação, ginástica artística, balé e bicicleta devem ser incentivados;

3. A partir dos 6 anos, as crianças já podem ser inseridas na prática de esportes mais complexos, que exigem habilidade com instrumentos: futebol, voleibol, tênis e basquete são exemplos;

4. Crianças com deficiências físicas, visuais, auditivas, mentais, dentre outras, devem ser incluídas em meio a outras crianças pelos professores de educação física. Cabe ao educador avaliar quais artifícios deve usar para promover a inclusão da criança enquanto criança e não como deficiente.

Juliana Diógenes