Adoção de boas práticas têm mudado o cenário escolar

Aprendizado com o projeto se aplica também fora da escola

Faltam cinco minutos para o fim da aula, e o líder de cada sala – que é escolhido a cada a semana – começa a organização. Nada de papel no chão, carteiras fora do lugar. Os jogos utilizados pelos alunos na hora do intervalo devem ser devidamente guardados. Ninguém quer ficar sem jogar no dia seguinte. Com o projeto Aluno Cidadão, a Escola de Ensino Fundamental e Médio Santa Luzia, na Aldeota, passou a conscientizar os alunos sobre perceber seu papel como cidadãos, dentro e fora do colégio.

Aos poucos, o projeto tem mudado o cenário escolar, que era repleto de pichações nas paredes, feitas pelos próprios alunos, cadeiras quebradas e também riscadas. De acordo com a diretora da escola, Gilvânia Monteiro, o projeto surgiu há três anos, a partir da necessidade de conscientizar os estudantes sobre a preservação do patrimônio, estimulando a criação do sentimento de pertença. “Nos cinco minutos finais da aula eles ficam para organizar a sala, limpar, arrumar, cuidar. Eles ficam responsáveis pela sala, e, no intervalo, guardando os jogos”.

Com o tempo, os alunos já vêm se conscientizando da responsabilidade de limpar depois e, portanto, já têm a iniciativa de sequer jogar papel no chão. “A gente tem conseguido uma redução muito grande das pichações, da quebra das coisas”, comemora Gilvânia. Outra conquista é que a mudança de postura dos alunos repercute em casa e nas ruas.

Beatriz Barbosa, 14, Vitória Régia, 12, e Douglas Santos, 14, estudam na unidade e se orgulham quando são os escolhidos os líderes do projeto na semana. “A escola é um lugar nosso. A gente tem que cuidar e zelar aquilo que é nosso”, afirma Beatriz. Douglas também defende a importância de cuidar do ambiente escolar e, mesmo quando algum colega de classe teima em desrespeitar o projeto, ele argumenta mostrando o que é certo. “E melhorou, as pessoas já nem jogam lixo”, comemora.

Hemille Ribeiro, 12, explica que o aprendizado proporcionado pelo projeto se aplica também fora da escola. Ela lamenta as vezes em que tem visitado o Jardim Japonês, entregue no ano passado pela Prefeitura, onde presencia pessoas jogando lixo fora da lixeira. “Toda vida que passo por lá, vejo gente poluindo. Acho errado. A Prefeitura ‘gastou’ muito. As pessoas têm que tomar atitude por si mesmas. Reclamam tanto”, critica.

O Povo