Brasil tem seis universidades entre as 500 melhores do mundo

São os chineses que estão dizendo: 6 das 500 melhores universidades do mundo são brasileiras. A informação está no novo ranking universitário de Xangai (ARWU), divulgado nesta quarta-feira (15).

O número é baixo se comparado com os países que lideram a lista. Juntos, EUA e Reino Unido têm 188 universidades dentre as 500 melhores do mundo (37,6% do total). As dez melhores instituições de ensino superior internacionais também estão nesses dois países – com a norte-americana Harvard em primeiro lugar.

América Latina

Mas se a comparação for com a América Latina, é possível respirar mais aliviadamente. Seis das dez universidades latino-americanas que aparecem no grupo das 500 melhores são brasileiras. O Chile tem duas universidades no ranking; Argentina e México têm apenas uma universidade cada.

“O Brasil não está mal se compararmos com a América Latina e com os países que têm ensino superior recente”, avalia o matemático Renato Pedrosa , coordenador associado do Centro de Estudos Avançados da Unicamp.

“A França, que tem universidades desde o século 18, conta com 20 instituições dentre as 500 melhores do mundo. O Brasil tem seis. Isso não é um número ruim’, afirma. De acordo com Pedrosa, as políticas de ensino superior brasileiras devem trabalhar para aumentar a quantidade de universidades do país no grupo das 500 melhores do mundo.

“Deveríamos ter cerca de dez instituições nesse ranking. É melhor ter várias universidades entre as 500 melhores do que apenas uma figurando entre as cem primeiras da lista.”

A USP está na listagem entre as 150 melhores universidade do mundo (o ranking só divulga as posições exatas até o 100º colocado, depois disso há grupos de 50 instituições). Também aparecem no ranking a Unicamp, a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a Unesp (Universidade Estadual Paulista) e a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Política agressiva chinesa

Se a comparação brasileira com a América Latina é positiva, o mesmo não acontece quando se olha para a China. O país tem 42 universidades dentre as 500 melhores do mundo – quase metade da concentração de toda a Ásia.

“Mas os chineses têm uma política agressiva de ensino superior, que inclui muito dinheiro para contratar professores com altos salários”, diz Pedrosa.

O ranking de Xangai é feito desde 2003 com base principalmente em indicadores de pesquisa científica de alto impacto. Por exemplo, ganham mais ponto as universidades com mais artigos nas revistas científicas “Nature” e na “Science”, consideradas hoje as melhores do mundo. A quantidade de ex-alunos e de professores com prêmio Nobel e com medalhas Fields também entram na conta.

Folhapress