MEC pode mudar currículo após divulgação dos números do Ideb

As notas do Ideb não deixam dúvidas: vêm aumentando a cada nova pesquisa. No entanto, no Ensino Médio o índice é praticamente o mesmo nos últimos seis anos

Fonte: Bom Dia Brasil

O Ministério da Educação estuda mudar o currículo do Ensino Médio brasileiro. O anúncio foi feito depois da divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb. Os números mostram que o Brasil melhorou no Ensino Fundamental, mas que o Ensino Médio preocupa. E que ainda estamos longe do desempenho dos países desenvolvidos, com uns 15 anos de atraso. As notas melhoraram, mas ainda são baixas: três a quatro em média. O Bom Dia Brasil conversou com um especialista em educação para entender os motivos desses números.

As notas do Ideb não deixam dúvidas: vêm aumentando a cada nova pesquisa. Em 2005, a nota média para o 5º ano entre escolas públicas e particulares de todo o Brasil era de 3,8. Em 2007 passou para 4,2. Em 2009 para 4,6 e em 2011 chegou a 5. Entre os alunos do 9º ano as notas são mais baixas: em 2005 foi 3,5; 2007subiu para 3,8; em 2009 chegou a 4 e 2011ficou em 4,1.

Gustavo Ioshpe, especialista em educação, atribui essa melhora nas notas ao aumento das taxas de aprovação: 83% em 2005 para 91% em 2011, para o quinto ano. O que, para ele, não significa que o ensino melhorou.

“Essa melhora é muito pequena. E ela é muito mais puxada pelo aumento de taxas de aprovação, do aluno que consegue ser aprovado de um ano para outro, do que efetivamente de aprendizado, de qualidade do ensino. Então o país está realmente falhando com suas crianças, não está dando para elas a qualidade de instrução que elas precisam para ter um futuro melhor”, explica o especialista.

Para os especialistas, um dado significativo da qualidade do ensino no Brasil é a nota Ideb para o Ensino Médio: 3,4 em 2005 e 3,7 em 2011, praticamente a mesma em seis anos.

“Você pega uma minoria da população que é quem consegue chegar ao terceiro ano do Ensino Médio e essa tem uma qualificação tão baixa. E isso é muito negativo para o país, porque hoje, cada vez mais, a competitividade do Brasil em relação ao resto do mundo se dá no Ensino Superior, não e dá mais na educação básica”, afirma Gustavo Ioshpe.

“Qual é o caminho para gente avançar no Ensino Médio: primeiro é escola em tempo integral, os governadores que estão construindo esse caminho porque a rede é predominantemente estadual, tão tendo excelentes resultados, o MEC quer apoiar essas iniciativas. Segundo o Pronatec, que é associar ”, afirma o ministro Aloízio Mercadante.

Até 2021 a meta do Brasil é alcançar a nota 6 para o 5º ano fundamental. Segundo os especialistas, essa é a nota dos países desenvolvidos em 2006, quer dizer, o Brasil estaria com 15 anos de atraso em relação aos outros países.

“Mesmo que o Brasil supere essa meta estabelecida lá em 2021, nós vamos continuar muito distantes dos países desenvolvidos do resto do mundo, porque obviamente entre 2006 e 2021 esses países vão ter progredido muito. E o Brasil vai continuar correndo atrás da maquina da qualidade educacional”, explica.

Ao longo dos anos a diferença entre as notas dos alunos das escolas públicas e da rede privada vai aumentando. Nos primeiros anos do ensino fundamental essa diferença é de 1,8, mas sobe para 2,1 nos anos finais do ensino básico e alcança 2,3 no Ensino Médio. Isso indica como as deficiências e dificuldades da rede pública vão se acumulando ao longo dos anos.

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