Ensino Fundamental I mantém ritmo de melhora e atinge 5 no Ideb

Primeiro ciclo do Ensino Fundamental mantém ritmo de melhora e atinge 5 no IdebEstados que investem em alfabetização avançaram mais; meta de 2011 já havia sido superada em 2009

Mariana Mandelli

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para os primeiros anos do Ensino Fundamental confirmou a tendência de anos anteriores e avançou em 2011, passando de 4,6 em 2009 para 5,0. O índice refere-se a redes públicas e particulares de todo o País.

O aumento, de 0,4, é o mesmo desde a primeira edição do Ideb, referente a 2005, como pode ser observado na tabela abaixo. De 2005 até agora, o índice teve um aumento de 1,2 ponto.

Unidade da Federação Ideb 2005 Ideb 2007 Ideb 2009 Ideb 2011 Meta Ideb 2011
Brasil 3,8 4,2 4,6 5,0 4,6
Região Norte 3,0 3,4 3,8 4,2 3,8
Rondônia 3,6 4,0 4,3 4,7 4,5
Acre 3,4 3,8 4,3 4,6 4,3
Amazonas 3,1 3,6 3,9 4,3 3,9
Roraima 3,7 4,1 4,3 4,7 4,5
Pará 2,8 3,1 3,6 4,2 3,5
Amapá 3,2 3,4 3,8 4,1 4,0
Tocantins 3,5 4,1 4,5 4,9 4,3
Região Nordeste 2,9 3,5 3,8 4,2 3,7
Maranhão 2,9 3,7 3,9 4,1 3,7
Piauí 2,8 3,5 4,0 4,4 3,6
Ceará 3,2 3,8 4,4 4,9 4,0
Rio Grande do Norte 2,7 3,4 3,9 4,1 3,5
Paraíba 3,0 3,4 3,9 4,3 3,8
Pernambuco 3,2 3,6 4,1 4,3 4,0
Alagoas 2,5 3,3 3,7 3,8 3,3
Sergipe 3,0 3,4 3,8 4,1 3,8
Bahia 2,7 3,4 3,8 4,2 3,5
Região Sudeste 4,6 4,8 5,3 5,6 5,4
Minas Gerais 4,7 4,7 5,6 5,9 5,5
Espírito Santo 4,2 4,6 5,1 5,2 5,0
Rio de Janeiro 4,3 4,4 4,7 5,1 5,1
São Paulo 4,7 5,0 5,5 5,6 5,5
Região Sul 4,4 4,8 5,1 5,5 5,2
Paraná 4,6 5,0 5,4 5,6 5,4
Santa Catarina 4,4 4,9 5,2 5,8 5,2
Rio Grande do Sul 4,3 4,6 4,9 5,1 5,1
Região Centro-Oeste 4,0 4,4 4,9 5,3 4,8
Mato Grosso do Sul 3,6 4,3 4,6 5,1 4,4
Mato Grosso 3,6 4,4 4,9 5,1 4,4
Goiás 4,1 4,3 4,9 5,3 4,9
Distrito Federal 4,8 5,0 5,6 5,7 5,6

A meta para 2011 era de 4,6 e já havia sido superada em 2009. Todos os Estados e o Distrito Federal conseguiram atingir metas – apenas Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul não superaram as suas.

Os líderes na superação dos índices propostos são os estados do Ceará e do Piauí, que ficaram 0,9 e 0,8 respectivamente, acima de suas metas. Os dois estados têm programas focados em alfabetização, o que, segundo especialistas, é essencial para ajudar na evolução das redes.

“Não colocar o foco na alfabetização é pôr em risco toda a aprendizagem futura desses alunos. É uma prioridade”, afirma Antonio Matias, vice-presidente da Fundação Itaú Social, que tem  diversos projetos na Educação Básica. “A confirmação disso aparece justamente quando olhamos os Estados que estão investindo na área.”

Entre 2005 e 2011, a rede pública do Ceará teve uma melhoria equivalente à rede pública do País todo: 1,1 ponto. O Estado tem, desde 2007, o Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic), programa de cooperação entre Estado e municípios que tem como principal objetivo apoiar as cidades cearenses na melhoria da qualidade do ensino, da leitura e da escrita nas séries iniciais do Ensino Fundamental. A ideia é que os alunos estejam alfabetizados até o final do segundo ano.

Já o Piauí tem uma iniciativa mais recente: o Palavra de Criança. O programa é uma parceria da Secretaria de Estado da Educação e Cultura e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e tem como meta consolidar a alfabetização dos alunos do 3º ano das escolas municipais, envolvendo as famílias no processo.

A alfabetização das crianças de até 8 anos é uma das bandeiras da gestão do ministro Aloizio Mercadante no Ministério da Educação (MEC). No início do mês passado, o governo lançou o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa por meio de uma portaria, que traz as ações e as diretrizes gerais do pacto entre o governo federal, Estados, municípios e entidades para firmar o compromisso de alfabetizar as crianças até, no máximo, 8 anos, ao final do 3º ano do Ensino Fundamental. O pacto tem como principal fonte de inspiração justamente o Paic, do Ceará.

O pacto da União prevê a alfabetização em língua portuguesa e em matemática e a realização de avaliações anuais pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) para os concluintes do 3º ano. Estão previstos também a formação continuada de professores alfabetizadores; materiais didáticos, literatura e tecnologias educacionais; avaliação e gestão, controle e mobilização social.

Evolução

Os estados com os melhores desempenhos no Ideb para a primeira etapa do Ensino Fundamental são, respectivamente, Minas Gerais (5,9), Santa Catarina (5,8) e o Distrito Federal (5,7). Os mais baixos são Alagoas (3,8), Amapá, Maranhão e Sergipe (todos com 4,1).

Observando apenas a rede pública – ou seja, descontando o desempenho da rede particular e contando apenas as escolas municipais e estaduais –, o Ideb cai 0,3 ponto, ficando em 4,7 e superando, ainda assim, a meta de 4,4 para 2011.

Uma das possíveis razões para a melhora é o aumento da matrícula em Educação Infantil nos últimos anos, o que significa que as crianças estão entrando no sistema e tendo contato com o ambiente escolar cada vez mais cedo. “Desde antes do Ideb, o crescimento dos primeiros anos do Ensino Fundamental já é notado como algo recorrente. Isso foi reforçado com a melhora da condição socioeconômica das famílias e também com o maior ingresso de crianças nas creches e na pré-escola”, explica economista Naercio Aquino Menezes, que também é professor do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa da Faculdade de Economia e Administração da USP.

Para Romualdo Portela, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), é preciso observar a melhora do sistema com cautela. “Na medida em que o Ideb se torna um índice mais conhecido e respeitado, é normal que os resultados melhorem. Mas ainda temos muita desigualdade e muita gente abaixo das médias, com desempenho muito baixo”, ressalta. “Além disso, sabemos que o desempenho escolar é atrelado ao nível socioeconômico do aluno. Como isso melhorou nos últimos anos, o aumento no índice é um reflexo disso.”

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