Dilma Rousseff manda recado aos grevistas

Movimento grevista e governo enfrentam impasse com relação as negociações – MARCELO CAMARGO/ABR

Em meio à onda de greves de servidores públicos, a presidente Dilma Rousseff disse, ontem, que a prioridade do governo neste momento é manter a vaga dos trabalhadores que não têm estabilidade no emprego. Sob os efeitos da crise econômica internacional, o governo tem priorizado medidas destinadas a setores capazes de incentivar a economia.

A presidente explicou aos servidores em greve que o momento é de austeridade fiscal. “Estamos enfrentando uma crise no mundo, e o Brasil sabe, porque tem os pés no chão, que pode e vai enfrentar a crise e passar por cima dela, assegurando emprego para todos os brasileiros”, afirmou. “O que o meu governo vai fazer é assegurar empregos para aquela parte da população que é mais frágil, não tem direito a estabilidade, porque esteve muitas vezes desempregada”, disse ao discursar na cerimônia de ampliação do Programa Brasil Sorridente, em Rio Pardo de Minas (MG).

Protestos

Técnicos administrativos em greve da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) invadiram o prédio da reitoria e atearam fogo em pneus nos acessos ao campus da Ilha do Fundão na manhã de ontem, no Rio. Eles protestam contra a falta de avanço nas negociações por aumento de salário e melhores condições de trabalho. A greve já dura quase cem dias e foi iniciada pouco após à greve dos professores federais.

O trânsito na região da Ilha do Governador, na zona norte da cidade, ficou complicado. A Polícia Militar teve que montar esquema para orientar os motoristas a fugir do engarrafamento.

Na última segunda-feira representantes dos técnicos-administrativos das universidades federais, em greve há quase dois meses, criticaram a oferta de reajuste para a categoria apresentada pelo Ministério do Planejamento.

O governo fez uma oferta de reajuste de 15,8% para a categoria, diluídos nos próximos três anos -o impacto estimado é de R$ 1,7 bilhão. Ao todo, a medida deve afetar o contracheque de 182 mil servidores, entre ativos e inativos.

Por causa de uma mudança legal -que exige que a definição de reajustes para o ano seguinte sejam fixadas até o último dia de agosto-, as reivindicações de servidores públicos federais acabaram se concentrando nesses meses, ampliando a pressão ao governo.

O quê

ENTENDA A NOTÍCIA

Uma onda de greves nos servidores federais atinge o país. Nas contas dos grevistas, são quase 30 órgãos envolvidos. Não se sabe, porém, o número exato porque os sindicatos e o governo dão números discrepantes.

Fala, internauta

Existe uma tendência anormal do Governo Federal em prejudicar os universitários. Falta dinheiro para educação, mas tem muito para eleições e Copa do Mundo.

David Coelho da Costa Filho 

A única categoria beneficiada com o aumento é a de professores titulares, que representa apenas 5% do total de professores das Universidades e é promovida por concursos raros e específicos. A maioria dos docentes, também com titulação e dedicação exclusiva, está a ver navios.

Fabiano Rocha 

Acho que devemos fazer uma reflexão, visto que, estamos passando por um crise mundial. Não estão pensando no Brasil, mas apenas no seu bem estar. Pensem no geral.

Gerardo Filho

O Povo