Luta pela Educação

O Senado Federal aprovou, nesta semana o projeto de lei que prevê a reserva de 50% das vagas das universidades federais para quem cursou o ensino médio, de maneira integral, em escolas públicas. A proposta vai ao encontro da distribuição de vagas delimitadas pelas cotas sociais e raciais já aprovadas em votações passadas no Congresso.

O texto segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff, com aplicação praticamente imediata já para os vestibulares em universidades de todo o País, muito embora as instituições tenham ainda quatro anos para se adaptar às novas regras.

Todavia, como não podia deixar de ser, o projeto de lei vem gerando muitas polêmicas. Reitores de todo o País criticaram a medida, acusando-a de ferir a autonomia universitária. Os reitores, apesar de serem a favor das políticas afirmativas, dizem que as ações determinadas pelo Congresso não respeitam a especificidade de cada região – que, de fato, tem necessidades diferentes. Alguns veem intromissão em demasia dos parlamentares na gerência das universidades.

No entanto, o grande problema da lei é outro, e reside exatamente na eventual queda de qualidade dos estudantes que vão ingressar nas universidades. Os reitores citam, por exemplo, o caso dos cursos mais concorridos e exigentes, como o de Medicina. As cotas mostraram-se, sim, importantes em outros países nas quais foram aplicadas, como nos Estados Unidos.

Todavia, sem que haja, paralelamente à aplicação das políticas afirmativas, o melhoramento do nível dos ensinos médio e fundamental, as medidas se mostraram, em longo prazo, ineficientes. A luta pelas cotas é histórica, sem dúvida, não obstante, a luta por uma escola pública de mais qualidade deve ser o norte principal de todos aqueles que querem uma Educação mais qualificada no Brasil. Torna-se cada vez mais urgente no País a demanda por mão de obra qualificada, e esta qualificação deve ser obtida desde a mais tenra idade nas escolas públicas.

O Estado-CE