MEC finaliza metas do programa Alfabetização na Idade Certa

Criado há um mês, o projeto recebeu a adesão de 19 Estados e 3.300 Municípios.

As metas do programa Alfabetização na Idade Certa estão em fase final de elaboração, informa o secretário de Educação Básica do MEC, Antônio César Callegari, em reportagem do jornal O Globo. A reportagem não cita prazos.

Criado há um mês, o projeto recebeu a adesão de 19 Estados e 3.300 Municípios. Ele prevê que o poder público assuma o compromisso de alfabetizar as crianças até os 8 anos, ao final do 3º ano do ensino fundamental.

De acordo com secretário, as expectativas sobre o que se espera das crianças nos três primeiros anos do ensino fundamental em relação à alfabetização estarão em um programa de formação continuada para os 315 mil professores alfabetizadores.

“Esse programa contém as habilidades, os conteúdos e direitos que qualquer criança tem que ter concretizado durante o ciclo de alfabetização. Estamos organizando quais são os objetivos intermediários ao final de cada uma das etapas dos três primeiros anos do ensino fundamental”, disse à repórter Marcelle Ribeiro.

O jornal noticia ainda que fez um cruzamento dos dados do Censo do IBGE e chegou à conclusão de que entre as crianças de famílias com renda per capita superior a R$ 1.020, cerca de 83% já está alfabetizada aos 6 anos. Entre as famílias com renda per capita inferior a R$ 128, as crianças alfabetizadas são 42%. Aos 10 anos, o analfabetismo entre as mais ricas é residual (1%), contra 14% entre as mais pobres. No total da população dessa idade, o analfabetismo atinge 6%.

A presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undimes), Cleuza Repulho, destaca que cada aluno tem um ritmo e critica pressa na alfabetização. “Uma criança pode ser alfabetizada antes (dos 8 anos), mas não queremos forçá-la a ter o mesmo ritmo. O aluno pode até entender o código alfabético aos 5 anos, mas o que não pode é ultrapassar os 8 anos sem estar alfabetizado”, afirmou ao jornal.

A professora do programa de pós-graduação em distúrbios de desenvolvimento da Universidade Mackenzie, Alessandra Seabra, defende orientar melhor os professores. “Os professores podem pensar que apenas para dominar o código alfabético as crianças podem levar três anos. Ou seja, o professor pode ficar três anos fazendo o que poderia fazer em um ano”, afirma.

Para o ex-secretário executivo do MEC na gestão de Fernando Henrique Cardoso, João Batista Oliveira, o ministério ainda não definiu como alfabetizar. “Alfabetizar é aprender como funciona o alfabeto. Não são necessários mais que alguns meses para aprender isso. Nas escolas particulares, a alfabetização ocorre aos 6 anos. O MEC não define o que é alfabetizar”, disse a O Globo.

A coordenadora-geral da ONG, Todos pela Educação, Andrea Bergamaschi, critica a formação dos professores. “Tem muito professor que chega com um conteúdo grande em sala, mas não sabe como gerir uma sala de aula, não está preparado para a prática”.

O programa Alfabetização na Idade Certa estipula três avaliações: no início e no final do 2º ano e no final do 3º ano. Os professores alfabetizadores terão formação continuada com material didático do MEC.

CGC Educação