Universitários se preocupam mais consigo do que com a sociedade

Pesquisa realizada com 17 mil jovens com idades entre 16 e 30 anos, de 34 países e cinco continentes, mostrou que eles andam mais preocupados com seu progresso pessoal do que propriamente em contribuir com a vida em sociedade. Os dados, apresentados durante encontro da Federação Internacional de Universidades Católicas (Fiuc), realizado na última semana, apontaram certo grau de individualismo, em especial, nos países mais desenvolvidos.

O levantamento sobre o perfil de estudantes, que tem como bases instituições de ensino superior católicas, ainda está em suas primeiras impressões, mas já ilumina aspectos centrais das preocupações do segmento. Quando questionados sobre quais os cinco aspectos mais importantes em suas vidas, o mais citado, com 94%, foi a família, seguidos de: estudos (44%), amigos (43%), parceiro (33%) e futuro (27%). Os cinco menos escolhidos foram religião (21%), trabalho (19%), lazer (6%), país (5%) e política (1%).

Outra questão, que aponta para individualismo, tratou sobre os projetos que os universitários gostariam de conquistar nos próximos 15 anos. Ter um bom trabalho (62%), formar uma família (45%), fazer pós-graduação (41%) e ganhar dinheiro (30%) são os mais escolhidos. Os menos citados são: trabalhar para uma sociedade mais justa (8%), envolver-se em projeto social (5%), participar de grupo religioso (3%) e atuar em grupo político (2%).

Em relação aos papel das instituições, os estudantes mostraram-se céticos ao pontuar a maioria delas. O item que recebeu maior nota, de zero a seis, foi o das instituições educacionais, com 4,1. Em seguida, aparecem as instituições religiosas, com média 3,7, empatada com as organizações não governamentais e bancos. As três piores notas foram dadas para a polícia (2,8), para os governos (2,3) e para os políticos (1,9).

Dentre as principais razões apontadas pelos pesquisados para ingressar na universidade, 91% escolheram a necessidade de conquistar um trabalho. Os outros itens mais citados foram: gosto pelo estudo (43%) e vontade de obter uma melhor posição social (25%). Apenas 18% citaram a necessidade de ser útil à sociedade.

Perfil por região
De acordo com a socióloga responsável pela pesquisa e professora do Instituto Universitário Ortega y Gasset, da Espanha, Rosa Aparicio Gómez, os países mais desenvolvidos são os que menos têm interesse pelo social. Com base no estudo, os africanos expressam mais essa preocupação, já os europeus menos. Já os estudantes da América do Sul estão em um meio termo.

O estudo mostra, ainda, que o perfil dos universitários brasileiros está mais próximo ao dos estudantes de países emergentes do que ao dos latino-americanos. Para a pesquisadora, isso pode estar relacionado ao momento econômico vivido pelo país. “É uma época de certa bonança. As pessoas estão vivendo outras coisas, estão avançando pessoalmente”, avalia. Ela aponta que o Brasil está mais próximo de países do Sul da Ásia, como a Índia.
As informações são da Agência Brasil.