Professores em greve fazem passeata e irritam motoristas

Movimento interditou o cruzamento da Avenida da Universidade com 13 de Maio, complicando o trânsito no local

Professores e técnicos em administração em greve de universidades federais, além de estudantes, realizaram, na manhã de ontem, passeata no Centro para exigir do governo uma resposta definitiva sobre a pauta de reivindicações. Os manifestantes interditaram, por alguns minutos, a Avenida da Universidade no cruzamento com a Avenida 13 de Maio, complicando o trânsito. Então, alguns passageiros desceram dos veículos e seguiram a pé. Motoristas ficaram irritados com a paralisação do tráfego.

Enquanto motoristas buzinavam impacientes, muitos passageiros preferiram descer dos veículos e seguirem a pé para evitar atrasos Foto: Waleska Santiago
“Se eu ficasse no ônibus, iria me atrasar para o trabalho e, assim, iria perder dinheiro. Por isso, desci o mais rápido que pude e vou seguir o meu caminho a pé mesmo”, comentou o vigia Francisco Viana.

Ele disse que várias outras pessoas no ônibus em que ele estava fizeram a mesma coisa ao ver a passeata dos professores.

A auxiliar de enfermagem Vanessa Mendonça disse que achava um desrespeito a paralisação do trânsito em um horário de pico em uma via tão movimentada. “Quem sofre com isso é a população”, reclama.

Para Vanessa, os servidores deveriam se reunir nas principais praças ou parques da cidade para protestar. Desta forma, ela acredita que eles poderiam ser vistos e ouvidos e não atrapalhavam o trânsito.

Objetivo

Segundo o coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado (Sintsef), Luciano Filgueiras, o objetivo principal da passeata era chamar a atenção da população para os problemas dos servidores e pressionar o governo federal. “Hoje (ontem), era o dia que a Dilma ficou de dar uma resposta sobre as nossas reivindicações. Mas a decisão foi adiada para a segunda quinzena de agosto”, reclamou.

Para ele, a passeata é importante porque mostra a união dos trabalhadores e alunos em busca de um serviço público de qualidade. “Os trabalhadores, tendo as suas reivindicações atendidas, vão poder atender à população com mais qualidade”, afirma. Agora, acrescentou o coordenador, a expectativa é que mais manifestações sejam realizadas ao longo do mês de agosto.

“Desde a última greve, havia uma promessa de que no mês de março seria apresentado para os servidores um plano de cargos e carreiras. Mas, até agora, nada disso apareceu. As outras propostas não atendem às nossas expectativas”, lamentou o diretor do Sindicato dos Servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (Sindsifce), David Moreno.

A maioria das universidades, institutos e centros tecnológicos federais rejeitou a segunda proposta de reajuste e reestruturação de carreiras, apresentada pelo governo. Foi oferecido um reajuste de 25% a 40% a ser aplicado em três anos ao salário dos docentes, em lugar dos aumentos a partir de 12% inicialmente sugeridos. No entanto, a posição dos manifestantes é que reivindicações acerca de progressão de carreira, gratificações e avaliação de desempenho não foram contempladas.

Aumento

25% a 40% foi o reajuste oferecido pelo governo federal a ser aplicado em três anos ao salário dos docentes. A proposta foi considerada insuficiente

THIAGO ROCHA
REPÓRTER

Diário do Nordeste