PARA ESPECIALISTAS, O USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS AMPLIA POSSIBILIDADES DE APRENDIZADO

No entanto, eles alertam que, para fazer a diferença, os recursos digitais devem ser aliados ao trabalho do professor

Lucas Rodrigues

Especialistas em TICs na Educação afirmar que uma das principais vantagens da utilização de meios digitais em sala de aula é a ampliação das possibilidades de trabalho por parte dos docentes.

“Os computadores podem possibilitar maneiras de abordagem de conteúdo que eram inviabilizadas até então por falta de recursos, tanto físicos ou até mesmo por serem impraticáveis”, afirma Marcus Vinicius Maltempi, especialista em tecnologias na Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Segundo ele, o planejamento docente não deve ficar limitado ao professor. “Seria interessante termos softwares específicos que ajudassem os professores a compartilhar o que estão fazendo e as experiências em sala de aula. Isso ficaria automaticamente registrado para que, no ano seguinte, toda aquela experiência dos fracassos e sucessos vivenciados com a turma não se perdessem”, afirma.

Para Priscila Gonsales, diretora-executiva do Instituto Educadigital, o que falta hoje em dia são espaços de troca de experiência entre os professores. “Seriam trocas presenciais ou online, onde os professores possam compartilhar seus desafios e dúvidas”, afirma. “Segundo pesquisa recente do TIC Educação, para 70% dos professores a melhor forma de aprender é com a experiência de outro professor”.

Cleuza Repulho, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), acredita que a aprendizagem por parte dos docentes é fundamental para que a inserção dos meios digitais seja bem-sucedida. “Nós não nascemos nessa tecnologia e por isso a gente tem que aprender tudo. O que para as crianças é muito fácil, muito básico, para os adultos sempre complica um pouco mais”, destaca.

Para ela, não é apenas o uso dos recursos digitais que irá fazer com que os indicadores educacionais melhorem. Além disso, ela acredita que, a tecnologia é uma ferramenta essencial, mas não a única, para garantir a igualdade. “Não é só o tablet ou o computador, mas sim essas tecnologias aliadas ao trabalho do professor, aos livros e a todo um contexto é que vão fazer a diferença”, afirma.

Cleuza acredita que a função do professor hoje em dia mudou. “Agora ele é um mediador de conhecimento, porque nós temos acesso a todo e qualquer tipo de informação. Dessa forma, o docente precisa ter esse papel de mediador e de condutor do processo para o uso positivo da tecnologia”, analisa. “Boa parte das pessoas de classe média já tem internet em casa, o que não acontece com a maioria dos brasileiros. Ou se tem, não tem a de boa qualidade e não tem equipamento. Você ter as novas tecnologias dentro da escola garante a equidade”, afirma.

Adriana Vieira, pesquisadora e Coordenadora do Núcleo TIC e Educação do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), concorda e acrescenta que os meios digitais não devem ser utilizados desconectados dos conteúdos já programados pelas escolas. “É um processo de formação que começa nos cursos de licenciatura e continua nos processos de formação continuada que tem como foco pensar a inserção da tecnologia associada à metodologia, ao conteúdo e não simplesmente ao uso da ferramenta como um ‘fetiche’”, explica.

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