De volta às aulas

Deveria ser uma alegria o reencontro com os amigos, rever os professores e recomeçar estudos interessantes e atividades desafiadoras. Mas não é o fato. Lembro um filme que assisti em que as crianças, ao retornarem das férias, a escola havia vindo abaixo sob um bombardeio de Hitler na II Grande Guerra. As cenas são as crianças gritando histéricas de alegria, jogando as pastas para o alto e gritando “Viva Hitler”…

A triste realidade é que retornar às aulas ainda é uma tristeza para a maioria das crianças. Esta natural reação é ainda agravada pela chatice real da escola. Sair do estado de “férias” é, de fato, uma acomodação que pode levar alguns dias, pois quase sempre as férias significam extensões temporais livres e escolha contínua de atividades prazerosas. As crianças, dentro do normal resistem ao sistema de aulas por seu caráter disciplinar e, agrega-se a isso, o fato de não gostarem desta escola que ai está.

Uma escola repetitiva, sem criatividade, cheia de pressões conduzidas por “crime e castigo”.

Como sair de férias e adentrar um sistema inadequado às características das crianças, tais como sua criatividade, capacidade de descobrir e inventar, curiosidade e potência física.

Será que somos incapazes de tentar resolver esta questão? Como é antiga esta aversão das crianças à escola. Quando os pais e educadores compreenderão que mudanças profundas devem ser feitas no cotidiano escolar. Mudanças que façam da escola um lugar desejado, querido. Mas tudo que deveria ser dito sobre esta mudança da escola já o foi. Como de fato mudar?

Adriana Oliveira Lima

O Povo