Nova proposta do governo para pôr fim à greve divide professores

Mercadante defendeu o reajuste, dizendo que poucos segmentos estão recebendo aumento

Paulo Saldaña, de O Estado de S. Paulo

A proposta do governo para tentar acabar com a greve nas instituições federais de ensino dividiu os sindicalistas. Enquanto dois já recusaram a posição do governo, um terceiro aprovou a proposta. Em Londres, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou que os professores não podem se queixar da oferta, alegando que, em momento de crise econômica mundial, poucos segmentos estão recebendo aumentos ou garantias.

Nesta terça-feira, 24, o Ministério do Planejamento apresentou uma contraproposta de reajuste de 25% a 40%. Há duas semanas, o governo havia oferecido um aumento entre 12% e 40%, em três anos, para a categoria. Para a nova proposta, o governo ampliou a previsão de recursos de R$ 3,92 bilhões para R$ 4,2 bilhões.

Mercadante diz apostar em um acordo com os grevistas na próxima semana. “Não conheço nenhum setor que ganhou isso neste momento. São os únicos que terão uma restruturação da carreira”, disse. “Não há margem fiscal e a economia está desacelerando.” Nesta quarta, a presidente Dilma Rousseff cobrou de Mercadante uma solução.

Rejeição

O Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes), que representa o maior número de instituições, rejeitou a proposta. A decisão deve ser debatida entre esta quarta e segunda-feira nas universidades em greve.

Segundo o diretor do Andes Josevaldo Cunha, o governo não avançou nas reivindicações de reestruturação de plano de carreira. Ele criticou o “ultimato” de Mercadante. “É até desrespeitoso o ministro dizer isso, de outro país, sobre uma greve que tem respaldo da sociedade.”

Cunha afirma que, com a proposta, poucos professores receberão reajustes reais, descontada a inflação acumulada e projetada até 2015. Mas pondera: “Caso o governo tenha chegado a um teto orçamentário, que se discuta a reestruturação da carreira dentro desses porcentuais”.

O sindicato exige um padrão de aumento entre níveis remuneratórios, salário baseado na carreira de 20 horas semanais, fixando o dobro para a carreira de 40 horas. E que se valorize da forma adequada a dedicação exclusiva.

O sindicato dos servidores técnicos (Sinasefe) também recusou. “O governo insiste em não fazer uma verdadeira reestruturação da carreira”, reafirma em nota.

O único sindicato que aprovou a proposta foi a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), que representa sete universidades e um instituto. Entre os pontos citados pela entidade está a garantia de que nenhum professor recebesse reajuste inferior a 25%.

Além disso, a instituição cita preocupação com o prazo de até 31 de agosto para que o governo envie um projeto de lei ao Congresso. Uma nova reunião com o governo está marcada para o dia 1.º. Até o lá, os professores devem decidir se acatam a posição dos sindicatos. / COLABOROU JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL A LONDRES