Como salvar o ensino público?

Enquanto aspirantes a governar Fortaleza e outras cidades empenham-se em expor projetos propondo altos níveis de saúde, mobilidade urbana, segurança e educação, alguns números relacionados com esse último item, deixam toda uma sociedade pasma, diante de tantos problemas e defeitos nesse setor. Só um exemplo: enquanto a China investe menos de 4% do seu Produto Interno Bruto no ensino público, e já ocupa o ponto mais alto do pódio do campo educacional do Planeta, o Brasil, que já aplica 5,1%, ocupa, hoje, a 53a. posição em termos de conhecimento de matemática, leitura e ciência dos seus estudantes do ensino básico. Perdemos, entre outros, para o Chile, Tailândia, Uruguai e Turquia. E não estamos falando somente de Fortaleza. Esse atraso traumatizante é em todo o País, com poucas diferenças. E, segundo especialistas, como o senador Cristóvam Buarque, não serão ampliados para 10% do PIB os gastos com educação, que iremos ultrapassar países como a própria China e outros. O Japão, por exemplo, investe 3,3% do seu PIB. Alemanha 4%; Coreia do Sul 4,5% e Canadá 4,6%. Só que, nesses países, existem critérios extremamente rigorosos no uso dos recursos públicos. Só que ali, enquanto os governos investem em infraestrutura e qualidade, o ensino público é pago. Em vez de se privilegiarem ricos com educação gratuita, os governos, no máximo, subvencionam estudantes talentosos de famílias pobres. Desse modo, sem uma grande e racional gestão dos recursos, e sem a qualificação e remuneração decente de professores, permaneceremos, por muito tempo, caudatários de países infinitamente mais modestos do que o nosso. E não será com debates eleitorais e movimentos esporádicos que mudaremos o nosso rumo.

O Estado – CE