Mãe denuncia maus-tratos em escola

Mãe e filha tornaram público o caso das agressões, após orientação do Conselho Tutelar. No entanto, as identidades das duas estão sendo preservadas

Sobral Uma mãe, moradora desta cidade, registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) na Delegacia da Policia Civil contra maus-tratos sofridos pela filha de apenas oito anos. Segundo ela, a menina teria sido vítima de lesões corporais por parte de um colega na Escola Municipal Osmar de Sá Ponte, além de ter sido humilhada pela professora por apresentar dificuldades em uma matéria durante as aulas.

Para a reportagem, a criança falou que a situação começou no início do ano letivo. Quando o colega pedia seu material didático ou merenda e ela não entregava, ele a agredia com chutes e joelhadas, principalmente, nas costas e na barriga.

A mãe disse que buscou soluções junto à escola, e o colega passou a estudar em outro turno por uns meses, mas depois retornou. Conforme ela, por orientação da coordenação do colégio, procurou a Polícia Civil e o Conselho Tutelar, que estão acompanhando o caso.

A mãe disse que a menina escondia o problema no dia a dia. Ela só ficou sabendo porque outra mãe de aluno presenciou uma das agressões e resolveu lhe contar. “Ela chegava em casa com um corte no lábio e dizia que tinha caído. Quando a mãe de outra aluna foi à comemoração de Carnaval da escola, viu o garoto agredindo minha filha com um chute e batendo na cabeça dela com uma pedra. Tudo porque ela tinha uma latinha de espuma em spray e ele queria a latinha” ,disse.

A menina conta que chegava em casa e sentia muita dor, por isso aproveitava quando a mãe cochilava ou estava ocupada com seu irmão para pegar, escondida, comprimidos de Tylenol, chegando a tomar duas ou três cápsulas de uma vez. “Ele sempre queria meu lanche, derramava o dele e pedia o meu. Se eu não entregasse, ele me dava joelhadas e chutes”, falou.

De acordo com a mãe, a menina nasceu com refluxo, por isso levava o lanche de casa todos os dias. Disse também que foi apenas no dia 7 de março que a filha teve coragem de contar pela primeira vez. “Ela chegou em casa com o braço roxo e uma perfuração na nádega. Quando perguntei o que tinha acontecido, não quis contar, mas continuei perguntando até ela dizer que tinha sido esse colega e que ele sempre batia nela, mas a tia (professora) separava”, relata.

“Além das lesões físicas, minha filha teve uma grande diminuição do rendimento escolar e ficava no reforço com a professora. Ela sempre voltava para casa me perguntando se era burra, pois a professora repetia constantemente para ela e para toda a sala que tanto ela como o irmão dela eram dois burrinhos, e as tarefas deles eram porcarias”, disse. Segundo ela, seu maior medo é o dano emocional que sua filha sofreu.

“Não posso mais passar perto da escola que ela começa a chorar. Um dia, passamos na rua que fica por trás e ela acabou se urinando de medo. Quando se fala em escola, minha filha diz que não quer mais estudar”.

Segundo a diretora da escola, Yeda Farias, o aluno acusado de agredir a menina “é uma criança normal”, mas que precisa de mais disciplina por parte da família. “Não entendo porque ele decidiu implicar com a colega, mas conversamos com a família dele e concordaram com a transferência. Não sei por que a mãe dela insiste no assunto. Para mim, já está tudo resolvido” afirmou.

Yêda disse, ainda, que os funcionários não sabiam do ocorrido, mas que o menino já havia sido alvo de reclamações por parte dos professores.

O secretário de Educação de Sobral, Júlio César da Costa, disse que soube do caso na semana passada e sua primeira ação foi proteger as duas crianças. “Os dois estão sendo transferidos para outras escolas, onde os colegas não sabem nada sobre o ocorrido. Eles passarão por um atendimento especializado no contraturno, com o acompanhamento de profissionais”.

Ele informou que vai se reunir, nesta semana, com a equipe da escola para avaliar a situação e as denúncias contra a professora. “Se for o caso, iremos abrir um processo administrativo para que sejam tomadas as devidas providências”. A família da aluna aguarda laudo feito pelo Instituto Médico Legal (IML).

JÉSSYCA RODRIGUES
COLABORADORA

Diário do Nordeste