NOTA BAIXA PARA A INFRAESTRUTURA ESCOLAR

Segundo técnicos do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), de um total de 639 colégios públicos do DF, 87,4% apresentam manutenção e conservação insuficientes, pois foram encontrados em estado de conservação ruim ou péssimo

Fonte: Correio Braziliense (DF)

A nota para um Aluno da rede pública passar de ano é de, no mínimo, cinco. Acima disso, está aprovado. Abaixo, fica de recuperação. É dessa média para baixo que se encontram as dependências da maior parte das Escolas administradas pelo Governo no Distrito Federal. De cada 10 instituições de Ensino, pelo menos, oito seriam reprovadas no quesito infraestrutura. Entre os problemas, há infiltrações, goteiras, desnível no piso, paredes descascadas, quadras de esportes desbotadas, mesas quebradas e pouca iluminação, situações incompatíveis com as atividades Escolares.

É esse o cenário que muitos dos 550 mil estudantes podem encontrar na volta das férias. O diagnóstico das instalações de colégios públicos foi feito por técnicos do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) entre janeiro e fevereiro de 2011. Mas somente no último dia 17, esse relatório foi votado pelo plenário da Corte, que determinou, por unanimidade, à Secretaria de Educação a reforma de todas as unidades com problemas de infraestrutura e deu um prazo de 120 dias para que os gestores apresentem um cronograma de obras, sob pena de descumprimento legal e pagamento de multa. A auditoria avaliou 50 instituições (Veja quadro) por meio da metodologia de amostragem aleatória para assegurar a participação de todas as regionais na proporção do número de Escolas que representam. Assim, os vistoriadores concluíram que, de um total de 639 Escolas, 87,4% apresentam manutenção e conservação insuficientes, pois foram encontradas em estado de conservação ruim ou péssimo.

Até chegar às notas que reprovariam a maioria das instituições de Ensino no DF, os auditores aliaram diferentes formas de apuração, como visitas às Escolas, registro fotográfico, análise de documentos encaminhados pelo governo e informações de questionários aplicados aos diretores das unidades. A partir dos dados, foi possível chegar ao Percentual Ponderado de Itens Avaliados Negativamente (PPIAN), índice que pode variar de 0 a 100% e é diretamente proporcional às avarias e inadequações encontradas na auditoria. As Escolas com percentual entre 25% e 40% reúnem instalações ruins e as péssimas são as que ficaram acima desse patamar.

Numa escala em que quanto maior o índice, menor é o incentivo para Professores ensinarem e a motivação dos Alunos em aprender, a Escola Classe 59, em Ceilândia, é a primeira do ranking. O prédio é aparentemente bem cuidado e acomoda 486 Alunos do 1° ao 5° ano do Ensino fundamental. Mas as cores que os cercam não camuflam por muito tempo as dificuldades que quem estuda ali enfrenta, segundo confirmou a reportagem do Correio, prova de que a auditoria realizada em 2011 ainda é atual.

Não fosse o empenho de Professores e de funcionários, a situação seria pior. Acostumado a ter de se virar, o supervisor pedagógico Rodrigo Soares Guimarães brinca que aquela é uma Escola térmica. “Quando faz calor, aqui dentro vira um inferno. No frio, congelamos”, explica. No período de chuvas, a situação se agrava. “Se chove à noite, a aula não começa às 7h no dia seguinte porque não dá tempo de limpar tudo”, relata a funcionária Iracy Pereira dos Santos. A água faz com que a primeira camada de concreto do pré-moldado se solte e pedaços do material caem nas salas de aula. Na pontuação elaborada pelos técnicos do TCDF, alguns itens foram considerados mais problemáticos e, por isso, receberam peso maior. Infiltrações, iluminação insuficiente, falta de pintura, danos em parque de recreação atingiram pontuação 5, a mais alta.

É um pequeno terreno inclinado que serve de espaço de lazer para os Alunos mais velhos na Escola Classe 59 em Ceilândia. A quadra existe, mas está tomada pelo mato. Ao lado dela, tem uma piscina, mas para chegar ao local, as crianças têm de descer dois degraus de meio metro. “É uma fábrica de fazer machucados. Todos os dias temos testas roxas, dentes quebrados no intervalo. Não há reforma que dê jeito, tem que demolir e fazer outra”, lamenta o supervisor pedagógico.

“É uma fábrica de fazer machucados. Todos os dias temos testas roxas, dentes quebrados no intervalo” Rodrigo Soares Guimarães, supervisor pedagógico da Escola Classe 59 de Ceilândia

Retorno
Os Alunos de boa parte das 650 Escolas públicas retomaram o ano letivo ontem. A greve dos Professores durou 52 dias, o que reduziu o recesso a apenas uma semana. Em algumas unidades, as aulas só voltam amanhã. O Batalhão Escolar não registrou problemas ontem no trânsito. Saiba mais…Em alerta Omissão de gestores

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