GREVE NELES!

Quando a gente erra, ou exagera, custa muito reconhecer o exagero e o erro. Tornam-se necessárias doses monumentais de humildade, geralmente muito longe de nossa capacidade de abandonar a presunção e a empáfia. De vez em quando, porém, um raio de bom-senso e de lucidez consegue atingir-nos.

Nas últimas semanas temos criticado com veemência o surto de greves no serviço público, não porque os servidores mereçam os vencimentos de fome que recebem, mas pelas consequências de paralisações capazes de prejudicar ainda mais a combalida economia nacional. Sem falar nas exceções que beneficiam certas categorias ditas de Estado, favorecendo marajás que certamente jamais viram um elefante. Não há que retirar nada do que foi escrito.

No entanto… No entanto, estava oculta nestes escritos a outra face da moeda, que agora é necessário desvendar. Tanto faz se as greves são estimuladas pela CUT e o PT, interessados em criar problemas para a presidente Dilma Rousseff, que até agora não conseguiram enquadrar. Pode ser isso mesmo o que acontece.

O mais importante, porém, no movimento grevista, transcende das sequelas entre os companheiros e sua suposta líder. Vem das necessidades de cada funcionário público hoje de braços cruzados, a começar pelos professores, categoria das mais humilhadas e ofendidas nessa farsa chamada Brasil.

À exceção de certas e raras camadas privilegiadas do magistério universitário, como aceitar que um professor encarregado de distribuir conhecimento e sabedoria passe fome e sofra necessidades iguais ou piores daquelas que atingem um trabalhador braçal? Como admitir que lhe sejam negados recursos para viver, quanto mais atualizar-se, porque recebe, em média, 50 reais por hora-aula ministrada? Vale o mesmo para os professores das entidades privadas, impossibilitados de apelar para a greve diante da ameaça de demissão sumária.

O Estado – CE