Número de analfabetos plenos não muda em 10 anos

O estudo revela que 4% dos estudantes do ensino superior tem alfabetização rudimentar

Apenas 26% dos brasileiros são plenamente alfabetizadas, aponta o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2011-2012, pesquisa do Instituto Paulo Montenegro e da organização não governamental Ação Educativa. O estudo constata “melhorias nos níveis de alfabetismo devido à ampliação do acesso à escolarização, mas não na medida desejável” e destaca que nos últimos 10 anos manteve “em torno de pouco mais de ¼ da população a fração dos que atingem um nível pleno de habilidades, aquele que seria, em princípio, esperado ao completar os 9 anos do ensino fundamental”.

A pesquisa divide a população em quatro grupos: analfabetos, alfabetizados em nível rudimentar, alfabetizados em nível básico e plenamente alfabetizados. No final do ensino fundamental 2, apenas 15% tem alfabetização plena, índice que sobre para 35% no ensino médio. O estudo revela que 4% dos estudantes do ensino superior tem alfabetização rudimentar.

“Na década, se reduz à metade o percentual de pessoas de 15 e 64 anos classificadas como analfabetas, indo de 12% em 2001-02 para 6% em 2011. A quantidade de pessoas no nível rudimentar também diminui, de 27% para 21%. Isso resulta numa redução do analfabetismo funcional de 12 pontos percentuais: 39% em 2001-02 e 27% em 2011.

O relatório do Inaf 2011-2012, no entanto, reforça que o Brasil “não conseguiu progressos visíveis no alcance de níveis mais altos, que são hoje condição para inserção plena na cultura letrada e direito de todos os cidadãos”.

A Agência Brasil destaca que o estudo indica uma relação entre o nível de alfabetização e a renda das famílias: à medida que a renda cresce, a proporção de alfabetizados em nível rudimentar diminui. Na população com renda familiar superior a cinco salários mínimos, 52% são considerados plenamente alfabetizados. Na outra ponta, entre as famílias que recebem até um salário por mês, apenas 8% atingem o nível pleno de alfabetização.

A chegada dos mais pobres ao sistema de ensino não foi acompanhada dos devidos investimentos para garantir as condições adequadas de aprendizagem. Com isso, apesar da escolaridade média do brasileiro ter melhorado nos últimos anos, a inclusão no sistema de ensino não representou melhora significativa nos níveis gerais de alfabetização da população.

“O esforço despendido pelos governos e também pela população de se manter por mais tempo na escola básica e buscar o ensino superior não resulta nos ganhos de aprendizagem esperados. Novos estratos sociais chegam às etapas educacionais mais elevadas, mas provavelmente não gozam de condições adequadas para alcançarem os níveis mais altos de alfabetismo, que eram garantidos quando esse nível de ensino era mais elitizado. A busca de uma nova qualidade para a educação escolar em especial nos sistemas públicos de ensino deve ser concomitante ao esforço de ampliação de escala no atendimento para que a escola garanta efetivamente o direito à aprendizagem ”, resume o relatório.

A pesquisa envolveu 2 mil pessoas, de 15 a 64 anos, em todas as regiões do país.

CGC Educação